2015 – Semana 11: Quando o preconceito entra na sua casa, a justiça faz sua parte e encontra-se um jeito de viver a homossexualidade e a fé.

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Olá amigos,

De semana em semana os armários vão ficando cada vez mais vazio e nesta temos mais um ator fora deles.

E as pessoas continuam expondo seus preconceitos, até dentro de casa, como foi o caso de uma empregada doméstica.

A homofobia continua fazendo suas vítimas mortais nos deixando sem palavras para expor a indignação.

O importante é que há países que fazem justiça e a Alemanha está nesta seleta lista.

Nos Estados Unidos o Estado ensina que governo sério defende e pede pela minoria.

Já um ator pornô heterossexual quebrou tabu e disse o que muitos gays já sabem há tempos.

Ao contrário do que faz a maioria do lugares públicos, que defendem seus funcionários homofóbicos, uma paleteria no Jardins convocou um beijaço.

E Anita causa polêmica mais uma vez, desta vez com a história sobre um gay tudo de bom.

E para finalizar tivemos a história de duas pastoras gays que foram expulsas de suas igrejas evangélicas por serem homossexual e fundaram uma igreja inclusiva.

ATOR DE EMPIRE ASSUME HOMOSSEXUALIDADE

Jussie Smollett, que interpreta Jamal Lyon em Empire assumiu sua homossexualidade em entrevista à Ellen DeGeneres, divulgou o TV Guide.

“Nunca houve um armário em que eu tivesse que sair”, revelou o ator na entrevista. “Eu simplesmente escolho não falar sobre minha vida pessoal. Mas sem dúvida, nunca existiu um armário em que eu estivesse, eu só queria deixar claro isso”.

Sobre seu personagem que também é gay em Empire, revelou que recebe “uns tweets bem ignorantes de vez em quando”, sobre como o personagem lidava com a sexualidade.

Para finalizar, o ator comentou que, quando disse que não falava de sua vida particular, não é porque ele nega, ou não aceita como Deus o fez. “Minha mãe sabe, e gosta muito de mim”, disse Smollett.

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EMPREGADA DE MONIQUE EVANS PEDE DEMISSÃO POR CONTA DO NAMORO GAY DA PATROA

Monique Evans contou no Twitter, na quarta-feira, 11, que sua empregada pediu demissão porque não aceitava seu namoro com a DJ Cacá Werneck. “Acreditam que minha empregada se demitiu porque não me aceitava com a Cacá? Preconceito! Foi horrível”, disse.

Monique contou que a empregada estava trabalhando em sua casa havia sete meses, e que a revolta começou após ela assumir o namoro com a DJ.

“Ela implicou com o meu relacionamento, não deu motivo, mas preconceito total. Ela implicou com a Cacá desde o começo. A Cacá perguntou para ela: “E se eu fosse um homem e pedisse tal comida, você ia achar ruim?”. E ela respondeu: “Com a Monique, eu me entendo, mas eu não gosto de você”. Ela ficava escutando rádio evangélica o dia inteiro, acho que teve alguma coisa a ver com isso” – revelou a ex-modelo que já foi símbolo sexual.

Monique disse que ficou mais leve com o ocorrido, mesmo sendo triste o episódio:

“Não pensei que iria passar por esse tipo de preconceito dentro da minha casa, mas, no fim das contas, fiquei aliviada.”

Apesar de não estar morando junto com Cacá Werneck, a casa da namorada é próxima a dela.

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MORRE FILHO DE CASAL GAY AGREDIDO EM PORTA DE ESCOLA

Nós noticiamos na semana passada e durante a semana compartilhamos na nossa página do Facebook a notícia.

Morreu, na tarde de segunda-feira (9), o adolescente Peterson Ricardo de Oliveira, de 14 anos, que estava em coma desde a semana passada após se envolver em uma confusão na porta de uma escola pública na Vila Jamil, em Ferraz de Vasconcelos, Grande São Paulo.

Peterson foi agredido no dia 5 deste mês por ser filho de um casal de homossexuais, segundo um dos pais que conversou com o R7, Márcio Nogueira.

“Eu não sabia que meu filho sofria preconceito por ser filho de um casal homossexual. O delegado que nos informou. Estamos tristes e decidimos divulgar o que aconteceu para que isso não se repita com outras crianças”, disse.

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TRIBUNAL DE BERLIM CONDENA FAMÍLIA QUE SURROU E TENTOU CASAR JOVEM GAY

Um tribunal de Moabit, em Berlim, deu ganho de causa na quinta-feira (12/03) a um rapaz de 18 anos que denunciou o próprio pai e dois tios por privação de liberdade e rapto de menor. Conforme sentença anunciada pela juíza responsável pelo caso, os três homens, com idades entre 36 e 43 anos, terão que pagar, cada um, 1.350 euros ao jovem, além de arcar com os custos do processo.

O jovem, de nome Nasser, acusa os familiares, de origem libanesa, de maus-tratos, rapto e tentativa de casamento forçado. Segundo o rapaz, o motivo da agressão é o fato de ele ser homossexual.
Assim que souberam que Nasser não se interessava por mulheres, seus parentes o torturaram. Ele ganhou um “banho” de gasolina do tio e levou uma surra dos pais, que ainda jogaram água fervendo sobre ele. Por fim, arranjaram-lhe uma noiva – uma moça libanesa – e queriam obrigá-lo a se casar com ela, no Líbano. Na época, ele tinha apenas 15 anos.

Nasser, que nasceu em Berlim, contou a jornalistas que procurou ajuda com as autoridades que tratam da proteção de menores de idade. Apesar de estar sob a proteção delas, o pai e os dois tios o levaram à força, de carro, para fora da Alemanha, em 10 dezembro de 2012. Dois dias depois, autoridades da fronteira com a Romênia interromperam a continuidade da viagem, que deveria ter terminado no Líbano.

Aparentemente decepcionado com a sentença, Nasser afirmou a jornalistas presentes no tribunal estar satisfeito por, pelo menos, ter conseguido levar o caso à Justiça. “Muitos não vão tão longe”, disse o rapaz. Advogados dos acusados disseram que vão recomendar aos seus clientes que aceitem o veredicto.

Segundo as autoridades de Berlim, um levantou identificou ao menos 460 casos de casamento forçado na cidade em 2013. Casamento forçado é crime na Alemanha.

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GOVERNO DOS EUA PEDE A SUPREMA CORTE QUE LEGALIZE O CASAMENTO GAY

O governo dos Estados Unidos pediu na sexta-feira (13), à Suprema Corte a legalização do casamento entre as pessoas do mesmo sexo nos 50 estados do país, em um documento em que afirma que “não existe uma justificativa adequada para tal discriminação e injurioso exercício do poder estatal”.

No documento, de 46 páginas, apresentado ao alto tribunal o Departamento de Justiça critica as “leis discriminatórias dos estados, que impõem danos concretos aos casais homossexuais, enviando a eles a mensagem de que são de segunda classe”.

Mês que vem a Suprema Corte deve ouvir os argumentos orais sobre a legalidade das leis estaduais que proíbem os casamentos entre homossexuais.

O Executivo argumenta que a proibição do casamento entre as pessoas do mesmo sexo é inconstitucional porque viola a 14ª Emenda da Constituição, que prevê “proteção igual para todos os cidadãos diante das leis”.

“As lésbicas e os gays estiveram sujeitos a significativa e contínua discriminação neste país”, destacou o governo.

“A história inclui a criminalização das relações íntimas, o tratamento dos homossexuais como desviados, a negação de seus direitos para o cuidado de crianças, convertendo-os em alvo de crimes de ódio e limitando suas oportunidades de conseguir emprego”, acrescentou o texto.

O governo destacou no documento que os “Estados Unidos têm um grande interesse em acabar com a discriminação baseada na orientação sexual”, e que Obama e o procurador-geral, Eric Holder, determinaram que “as classificações baseadas na orientação sexual devem estar submetidas a um elevado escrutínio”.

Além disso, no documento, o governo reivindica sua autoridade de se pronunciar sobre este tema porque ele é o encarregado de conceder benefícios sociais, que muitas vezes se baseiam no estado civil dos possíveis beneficiados.

Obama, através do documento, se posicionou de forma contundente no caso estudado pelo Supremo, que vai determinar se as uniões entre pessoas do mesmo sexo devem ser legais nos 50 estados do país.

Os juízes da Suprema Corte tinham várias vezes se recusado a se pronunciar sobre esta questão nos últimos meses, a mais recente delas em outubro, quando se negaram a receber as apelações contra as resoluções que permitem o casamento entre pessoas do mesmo sexo em cinco estados do país.

Aquela postura foi uma vitória para a comunidade homossexual, já que teve como efeito imediato a permissão do casamento entre pessoas do mesmo sexo estendida para 24 estados.

Nos meses seguintes outros 12 estados foram afetados pela recusa do Supremo em analisar os casos, fazendo com que atualmente 36 estados dos EUA realizem casamentos gays.

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ATOR PORNÔ HÉTERO DIZ QUE CUNETE NÃO É UM FETICHE SÓ PARA GAYS

O nome dele é James Deen (não Dean) e sua fama no mundo do pornô hetero é a de ser um grande apreciador de um prazer que a maioria dos gays já descobriu faz tempo: a cunete.

“Cunete é incrível, e eu não vejo como isso possa ser ‘gay’. Se o seu desejo é ter um membro do mesmo sexo lambendo sua bunda, então eu diria que isso seria ‘gay’. Eu lambo o cu de muitas mulheres e muitas delas lambem o meu o tempo todo. Não vejo onde ou como isso possa ser interpretado como [gay]. Será que eu perdi alguma coisa? Cus são exclusividade dos gays? Não, não são.

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PALETERIA PEDE DESCULPAS APÓS FUNCIONÁRIO EXPULSAR CASAL GAY DA LOJA

O jornalista Raul Perez e o namorado foram expulsos no domingo (8) de uma paleteria nos Jardins, área nobre de São Paulo, porque estavam se beijando. Incomodado com o beijo, um casal heterossexual queixou-se a funcionários da Me Gusta Picolés Artesanais, na rua Augusta. Um dos seguranças mandou os jovens saírem do local sob o pretexto de que “era um ambiente familiar”.

Raul não se calou diante do ato de discriminação. Ele denunciou o caso ao Centro de Combate à Homofobia, vinculado à prefeitura de São Paulo.

“Consideramos justa TODA forma de amor. Consideramos como família QUALQUER tipo de família. Aqui tem espaço para o mundo todo! Não vamos deixar que uma expressão tão covarde, violenta e nojenta como a homofobia fale mais alto que o “hmmm” que as pessoas falam depois de tomar nossos sorvetes.”

No próximo sábado, a Me Gusta informa que está organizando um beijaço no local para expressar seu “compromisso com o respeito e amor ao próximo”.

Pelo Facebook, a sorveteria fez um pedido oficial de desculpas e comparou amor a sorvete: “tem de todos os tipos, todos os gostos e de todas as cores”.

A Me Gusta Picolés Artesanais admitiu o ato de intolerância, mas justificou que foi uma “atitude isolada e sem autorização superior” de um funcionário.

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ANITTA DIZ EM ENTREVISTA “JÁ PEGUEI GAY E FOI MUITO MELHOR QUE HOMEM”

Anitta foi a principal entrevistada do programa “Pânico”, da rádio Jovem Pan, nesta quarta-feira (11.03). Conhecida por não ter papas na língua, ela reclamou que os homens não dão em cima dela. Se ela está em uma balada, uma festa ou um show, é sempre obrigada a tomar a iniciativa caso se interesse por alguém. “Eu que tenho que chegar… Ninguém chega em mim! Se eu não chegar, fico um ano sem pegar ninguém!”

Ela também revelou que já ficou com homens gays. “Eu já peguei gay, e olha, foi muito melhor que muito homem (heterossexual).”

Os integrantes do Pânico quiseram saber como foi. “…Em uma festa, fui no mais bonito da festa. Meus amigos gays diziam que ele jamais ia ficar com mulher… Foi maravilhoso!”

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LÉSBICAS, CASADAS E PASTORAS DE UMA IGREJA EVANGÉLICA

Na porta do endereço da Avenida São João, número 1.600, bem no centro de São Paulo, a transexual Vitória tentava entender um aviso fixado em uma porta de vidro. Analfabeta, pediu ajuda para ler que “no próximo domingo não haverá distribuição de cestas básicas”.

O anúncio estava colado na porta da igreja evangélica Cidade de Refúgio, um lugar onde transexuais, como Vitória, além de gays e lésbicas são bem recebidos. Inaugurado em 2011, o templo é comandado pelo casal de pastoras Lanna Holder e Rosania Rocha, 40 e 41 anos, respectivamente.

Em junho deste ano, a Cidade de Refúgio completará quatro anos, quando deve inaugurar um novo templo, com capacidade para até 2.000 pessoas, no endereço ao lado. Isso ocorre em um momento em que pautas como o Estatuto da Família – que, entre outras coisas, define como núcleo familiar apenas a união entre homem e mulher, excluindo a união homoafetiva, aprovada em 2011 pelo Supremo Tribunal Federal – volta e meia entram em votação na Câmara dos Deputados, cada vez mais conservadora. Assim como outros projetos de lei como a cura gay – que altera resoluções do Conselho Federal de Psicologia que proíbem que profissionais participem de terapias para alterar a identidade sexual do paciente.

Quando ela foi me buscar no aeroporto e eu a vi, pensei: Jesus, tenha misericórdia.

Era justamente a “cura gay” que Lanna Holder pregava quando conheceu Rosania, em 2002. Na época, ambas tinham marido e filhos. Rosania era casada com um pastor e cantava nos cultos de igrejas evangélicas brasileiras nos Estados Unidos. Evangélica desde os 19 anos, Lanna era missionária da Assembleia de Deus, uma das maiores entre as pentecostais, com milhares de membros. “Eu tinha alcançado um ápice ministerial por conta do meu testemunho”, conta Lanna. “Eu falava sobre a minha mudança de orientação sexual. Eu era uma ex-lésbica”. Ela passou seis anos viajando pelo Brasil e pelo mundo pregando sua cura.

Em uma das viagens aos Estados Unidos, Lanna e Rosania se conheceram. Demorou quase um ano para que elas percebessem que havia uma atração entre elas, maior do que a amizade. “Um dia, liguei para ela para dizer que eu amava ela”, conta Lanna. Um mês depois, Lanna foi para os Estados Unidos, para pregar, e ficou na casa de Rosania. “Quando ela foi me buscar no aeroporto e eu a vi, pensei: Jesus, tenha misericórdia”, conta Lanna, rindo. A situação foi difícil para elas. Quando perceberam que estavam apaixonadas, relutaram com os recursos que conheciam.

“Oramos muito, chorávamos, jejuávamos”, diz Rosania. O jejum era uma forma de troca. “Pensávamos: Olha Jesus, eu vou jejuar e você tira isso de mim”.

Mas o sentimento que tinham uma pela outra não tinha mais volta. “E percebemos que estávamos perdendo a nossa legalidade diante de Deus”, diz Lanna. Procuraram os respectivos maridos e contaram a história para eles. Na sequência, procuraram pelo pastor da igreja nos EUA para pedir ajuda. E para que a história não viesse à tona. Na verdade, queriam ser curadas: “Na época, tudo o que você pode imaginar que a igreja dizia que nos curaria, nós tentamos. Desligamento de alma, cura interior, fizemos tudo”, diz Lanna. No dia seguinte à procura pelo pastor, a comunidade evangélica no Brasil e nos Estados Unidos estava sabendo da relação das duas. “Perdemos contratos para os shows da Rosania e para a minha pregação”, conta Lanna. “Eu não tinha nem como entrar na igreja. As pessoas mudavam de calçada, me hostilizavam no supermercado”, diz Rosania. Ela foi expulsa de casa e voltou a trabalhar, fazendo faxina nos Estados Unidos. E parou de cantar.

Desligadas, Lanna acabou indo morar nos Estados Unidos também. “Entreguei pizza, trabalhei na construção civil, fiz tudo para sobreviver ali”, conta. Mas sofreu um acidente e ficou em coma por três dias. E foi isso que as uniu novamente. Um pastor “muito conhecido aqui no Brasil” as orientou. “Ele dizia: Deus quer que vocês sejam felizes. O que está errado é o fato de que vocês estão casadas. E não de estarem apaixonadas”. Elas não revelam a identidade do pastor.

Rosania não podia se divorciar porque estava esperando para receber o green card. “Estava esperando há 17 anos. Se eu saísse dos EUA, não poderia voltar para ver meu filho”, conta. Ficaram dois anos sem se ver. “E eu dizia, ‘senhor, agora é o momento, o senhor vai me transformar em uma hetero”, diz Rosania, aos risos.

Na época, tudo o que você pode imaginar que a igreja dizia que nos curaria, nós tentamos. Desligamento de alma, cura interior, fizemos tudo.

Lanna já estava de volta ao Brasil e, como estava separada de Rosania, voltou a pregar na Assembleia de Deus. “Na mentalidade da igreja, aquilo tudo já tinha passado”, diz Lanna. Ela nunca mais pregou seu testemunho de ex-lésbica. Mas, mesmo afastadas, a relação perdurou. E elas acabaram por ficar juntas. Da reunião com amigos na casa delas para cantar e orar, surgiu a ideia de fundar uma igreja que as acolhesse e não as expulsasse como ocorrera no passado. Em 2011, quando a Cidade Refúgio surgiu, já existiam cerca de sete igrejas inclusivas no Brasil, como são chamadas as igrejas que acolhem a comunidade LGBT. Hoje, segundo Lanna, o número chega perto de 20.

O culto na Cidade de Refúgio é um espetáculo, como toda pregação pentecostal. A pastora prega, lê a Bíblia, há alguns shows, passa-se as máquinas de cartões para o pagamento dos dízimos, as pessoas oram, choram, se emocionam. A igreja se mantém com dízimo e ofertas. “Como qualquer igreja”, diz Lanna. O público é formado por homossexuais, mas há casais heterossexuais e crianças também, em menor número. “Estamos aqui para aceitar a todos, e não para excluir os heteros. Não somos uma igreja só para gay. Como as duas pastoras são casadas, temos uma tendência a atender a esse público homoafetivo”, diz Lanna. No culto de domingo, o maior da semana, chegam a passar pela ali até 500 pessoas para assistir à pregação de Lanna. No total, são três horas de cerimônia.

Eu não tinha nem como entrar na igreja. As pessoas mudavam de calçada, me hostilizavam no supermercado.

Quando era missionária da Assembleia de Deus, Lanna conta que certa vez teve de ser “disciplinada”. “Eu levei um grupo de jovens para visitar uma cachoeira em Bezerros, lá em Pernambuco”, contou ela durante o culto. “Fui de vestido longo, pois não podia usar maiô, fiz tudo certo. Só que o nome da cachoeira era Banho de Cerveja”, diz. O público cai na risada. Lanna contou essa história para dizer que “nunca deu muito trabalho” na igreja. “Mas quando dei, foi de uma vez só, assim como a Rosania, né?”, diz, olhando para a esposa, que está no púlpito também. Todos riem. Do começo ao fim, elas se referem como esposas. Não há o que esconder. Mas tampouco há um discurso dirigido para homossexuais ou transexuais.

Além dos cultos – são três por semana, além de outros eventos e conferências – a igreja tem uma ONG que dá atendimento psicológico para o público que frequenta o templo e atende a cerca de 100 famílias todos os meses com a distribuição de cestas básicas. “Chega gente aqui com uma carga emocional muito pesada”, conta Lanna. No ano passado, as pastoras realizaram mais de 40 casamentos entre pessoas do mesmo sexo.

Como evangélicas, Lanna e Rosania são categoricamente contra o sexo antes do casamento. “O sexo só é abençoado por Deus quando ele é debaixo de uma aliança”, diz Lanna. Elas se casaram em 2013.

“Estamos aqui para aceitar a todos, e não para excluir os héteros. Não somos uma igreja só para gay.

Sobre o Estatuto da Família, a opinião de Lanna é uma crítica a deputados que têm a mesma origem que ela, a Assembleia de Deus. “Essa lei evidencia que eles (os deputados evangélicos) lidam com essa parte da sociedade (homossexuais e transexuais) como se ela não fosse digna de viver uma vida de santidade, como se todo o homossexual fosse promíscuo”, diz. “No dia que pesar no bolso deles, que eles descobrirem que 40% das pessoas que estão dentro da igreja deles são homossexuais, são gays, eles vão mudar de ideia”.

Segundo Lanna, as igrejas evangélicas já não têm um discurso tão contundente contra os homossexuais, por saberem que uma parcela importante do seu público é feita deles. “Eles já não pregam mais contra o homossexual. Fingem que não estão vendo. Mas isso só vai mudar quando mexer no bolso deles”, diz.

No dia que pesar no bolso deles, que eles descobrirem que 40% das pessoas que estão dentro da igreja deles são homossexuais, são gays, eles vão mudar de ideia

A história de Lanna e Rosania rendeu um livro, que será publicado no final deste ano. Hoje, moram em São Paulo com os dois filhos do primeiro casamento de cada uma delas, um de 13 anos e um de 18. Pensaram em fazer inseminação artificial para gerar mais um filho, mas o projeto, por enquanto está suspenso, por falta de tempo.
Depois de muitos anos, o casal diz viver em paz. “O meu testemunho terminava com aquele final hollywoodiano. Eu dizia: Olhem para mim, e vinha meu marido com o meu filho. E eu dizia: Hoje sou ex-lésbica, ex-drogada, estou curada”, conta. “Aquilo era uma propaganda de margarina, não era real”.

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Semana que vem eu volto com mais notícias e não deixem de deixar suas opiniões e seus recados.

Abraços, Sam.

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