A descoberta do amor e da sexualidade heterossexual versus da homossexual

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A descoberta do amor e da sexualidade heterossexual versus da homossexual

“Que pode uma criatura senão, entre criaturas, amar?”
Carlos Drumond de Andrade

Não há no mundo uma pessoa que, depois de certa idade, possa dizer que nunca amou ou que nunca sofreu por amor, e não incluo nisso somente aqueles que foram correspondidos e depois perderam seu bem querer, mesmo aqueles que nunca vivenciaram o amor recíproco, também eles sofreram ou sofrem por amor.

Esse sentimento disforme e confuso que a natureza armou para nos capturar em sua missão de “procriação” e que nos faz tão bem e tão mal é, de longe, a mais explorada e mais aclamada das emoções humanas, mais até do que a dolorida saudade (afinal, a saudade é filha do amor, certo?).

E eu fico aqui pensando com meus botões de plástico em como o primeiro amor pode ser cruel para os gays.

Hardin (1999), já comentou isso em sua obra. Fez comparações interessantes das diferenças entre a “descoberta” do amor e da sexualidade heterossexual versus do homossexual.

Eu, abusado, tomei uma liberdade descarada e fiz uma pequena lista com os principais pontos que ele levanta, acompanhe:

Diferenças entre a descoberta do amor e da sexualidade heterossexual versus da homossexual:

– Heterossexuais costumam aprender e vivenciar sua identidade sexual na adolescência, ao passo que os homossexuais podem demorar muito mais. Tentando oprimir suas atrações durante anos a fio, alguns podem só a experimentarem já em fase bem adulta.

– Heterossexuais são educados ou, pelo menos, informados sobre aspectos da sexualidade e amor pela família e amigos. Para muitos gays o aprendizado teve que vir de si mesmo, tornando-se ele seu próprio mentor sobre o que é e como vivenciar a paquera, o namoro e o sexo.

– O relacionamento entre pessoas do mesmo sexo não é amplamente aceito, sendo reservado para lugares específicos ou ocasiões especiais. Já o casal heterossexual não só tem a liberdade de expressar seus sentimentos em casa, no shopping, na rua, na chuva e na fazenda (não consegui evitar o trocadilho), como também são admirados e incentivados em seus amores.

– Homossexuais são incitados a esconder seus sentimentos e atrações, muitas vezes acreditando que se o outro “descobrir” isso, este pode agredi-lo verbalmente ou fisicamente ou mesmo romper uma amizade ou algo assim (o que pode até ter um fundo de verdade). Entre heterossexuais a atração não é ofensa, mesmo que não correspondida, ela passa de modo mais leve (nessa comparação).

– Gays que assumem desde cedo seus sentimentos podem ser rejeitados, e a rejeição pode causar solidão, isolamento e depressão. A escolha para muitos é criar identidades secretas onde eles podem experimentar alguma liberdade de expressão.

Aponto esses poucos aspectos (tem mais detalhes no livro de Hardin), apenas para exemplificar superficialmente como o primeiro amor para homossexuais pode ser ainda mais difícil e complicado quando comparado com heterossexuais.

Obviamente, este é um quadro muito generalizado, claro que para alguns nem existiu dificuldades ou sofrimento, mas para outros, como eu, houve e só isso já afirma os pontos levantados.

Mas, independente do sofrimento, não há ainda escapatório do amor (acredite, eu já pesquisei muito por isso), então o mais indicado é tentarmos compartilhar nossas dores e conhecimentos para que mais pessoas tenham acesso a isso e possam vivenciar suas verdades.

Haverá um dia em que todos os seres humanos passarão por essa experiência da mesma forma e esse (espero) será um dia feliz, aliás, esse dia parece cada vez mais próximo, uma vez que hoje, pelo menos em grandes centros urbanos, jovens homossexuais têm vivenciado mais abertamente suas identidades.

Para todos os outros, nos valemos da Internet e do compartilhamento de conhecimento para criar redes de pessoas que se ajudam mutuamente com o intuito de passarmos pelas dificuldades (aliás, para quê Internet, se não para isso?).

Continuemos firmes e fortes!

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Referências
HARDIN, Kimeron N. Autoestima para Homossexuais: Um Guia para o Amor-Próprio. São Paulo: Edições GLS, 2000.

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