Batman V Superman – A origem da justiça

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(Batman V Superman – Dawn , 2016)

Estreia: 24 de Março de 2016

País / Ano de Produção: EUA / 2016

Duração: 153 minutos

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Um filme que reúne nas telas Batman, Superman, Mulher Maravilha e ainda abre a porta para o Flash, Ciborgue e Aquaman fazerem seu debut tem que ser um filme acima de qualquer falha, certo? Em teoria, sim. Mas a verdade é que o maior pecado de Batman V Superman é justamente o seu excesso.

Uma premissa bem interessante permeia o longa, mostrando a jornada de Batman contra Superman, quem ele acredita não ser o mais apto a ajudar um povo do qual ele está acima, como um Deus, e não compartilha sua dor. Zack Snyder, porém, deixa de lado a história para focar no que ele mais gosta: muita ação e destruição, sem sentido e barulhenta. Em o Homem de Aço, de 2013, Snyder reapresentou o Superman para um novo público, tomando algumas liberdades artísticas pertinentes para a trama, mas ainda apelando para a destruição desenfreada que incomodou um pouco fãs e críticos. Era de se esperar que o diretor acertasse a mão nesse novo longa, já que ele precisa superar seu antecessor. E por superar eu quero dizer fazer mais dinheiro. Estima-se que o filme precise fazer pelo menos 800 milhões de dólares para se pagar e pelo menos 1 bilhão para justificar o universo cinematográfico que está se formando.

Talvez por um iniciativa da DC, querendo se afastar do que a Marvel anda fazendo no cinema, o longa seja bem obscuro e sério. O que não é ruim de maneira alguma, pois mostra as diferenças entre as duas editoras e seus panteões de heróis. Todavia, a história quebrada por cenas de ação desnecessárias faz dessa sequencia um prato duro de digerir para os que não são fãs dos personagens. O filme em si é muito agitado, com uma trilha sonora de Hans Zimmer que, ao invés de empolgar, incomoda em diversos momentos. É um longa que está alguns tons acima em quase tudo.

Como eu disse antes, a trama tem um ponto de partida interessante, mas não é bem desenvolvida. O problema: focar muito no futuro da DC no cinema e esquecer que é preciso pavimentar o caminho pra chegar até lá. Os personagens que farão parte desse futuro são apenas jogados em cena, sem função alguma, como um Ester Egg que todo mundo já sabe que vai estar lá e mostrar, em sequências de sonhos, que o Darkseid vai ser o vilão da Liga chega a ser um exercício um tanto preguiçoso dos produtores.  É tanto buraco na trama que parece que as cenas foram escritas por pessoas diferentes e coladas para formar a bagunça que surge de tudo isso. Uma bagunça grandiosa e ambiciosa, cabe ressaltar.

Se algo positivo pode ser dito, e encarado como um grande acerto, é a escolha do elenco. Henry Cavil e Amy Adams continuam destilando muita química como Clark Kent e Lois Lane e a ruiva não se deixa abater pela presença de Gal Godot como Mulher Maravilha: Ela prova que tem seu lugar na trama central. Aliás, Gal e Ben Affleck foram os que mais sofreram com a pré-crítica após serem escalados como Diana e Bruce Wayne, mas ambos provam na tela que foram escolhas acertadas. Gal é uma Mulher Maravilha de tirar o fôlego, uma das personagens mais acertadas do longa, enquanto Affleck conseguiu canalizar as emoções corretas para dar vida ao amargurado, e por vezes solitário, playboy órfão que usa a figura do Batman para lutar contra o crime. Em participações pequenas, mas dignas de nota, estão Lawrence Fishburne, Diane Lane e Jeremy Irons como Perry White, Martha Kent e o mordomo Alfred respectivamente. Todos em plena harmonia, com exceção de Jesse Eisenberg. Esse eu juro que eu tentei, mas não deu pra entender suas motivações em cena.

Jesse é um ator que não precisa provar nada pra ninguém e, apesar da pouca idade, foi bem recebido pela mídia quando foi anunciado que ele interpretaria Lex Luthor. Porém, Jesse não acertou o tom do personagem e apresenta na tela algo caricato, com uma voz irritante e transforma o seu Luthor em uma espécie de cientista maluco, com delírios de grandeza, que, em cena com outros atores, consegue demonstrar qual discrepante sua atuação é. Alguém explica pra ele que existe outras formas de se destacar em cena sem ser falando alto e com movimentos exagerados.

Tudo é grandioso. Tudo tem muito cor e som. O 3D chega a ser exaustivo em alguns momentos. Fica a pergunta: onde está a alma do filme? Cadê o efeito Christopher Nolan? Após o sucesso da trilogia do Cavaleiro das Trevas ele deveria ser usado como inspiração pra esse novo momento da DC. Quando analisamos os empolgantes terceiro atos dos filmes de Nolan e os comparamos com a confusa batalha contra Apocalipse na meia hora final, constatamos que Snyder é um cineasta que sabe impressionar, mas não emocionar. E nós sabemos que em se tratando de personagens como esses os dois fatores são mais que necessários. DC Comics sempre teve como alvo o coração dos fãs em seus quadrinhos… Na nova fase no cinema ainda precisa trabalhar pra chegar lá.

Em recente entrevista, Charles Roven, um dos produtores do longa, disse que sua intenção era fazer um filme pra todos. Pois bem, Batman V Superman não é um filme pra todos. Tem uma trama fraca, barulhenta, com sequências de sonhos longas demais e cenas de ação que dão dor de cabeça. Não vejo pessoas mais velhas ou crianças saindo entretidas da sala de cinema, mas sim um público mais jovem e aqueles die hard fans que ficam felizes em saber que, mesmo com um filme não tao bom quanto esse, ele ainda funciona como um dos acessos para o esperado filme da Liga da Justiça.

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