Chocolate de Thiago Dadalt, curta premiado, será avaliado para o Oscar

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Chocolate de Thiago Dadalt

Chocolate de Thiago Dadalt, curta premiado do cineasta brasileiro, será avaliado pelos membros da Academia para indicação ao Oscar 2018.

Thiago Dadalt que é mineiro e tem 32 anos, trocou a carreira de publicitário em São Paulo há 4 anos apostando no sonho de se destacar como cineasta em Los Angeles.

Provavelmente, nem mesmo ele pudesse esperar que a sua decisão pudesse dar tão certo em um curto espaço de tempo.

Sobre o curta Chocolate de Thiago Dadalt

Uma mulher de olhar perdido, maltrapilha, caminha por um beco sujo escolhido como refúgio de desabrigados, assim é o início do curta “Chocolate”.

Com pouco mais de 20 minutos, somos fisgados pela história de uma dona de casa americana de classe média, sofrendo em decorrência do Alzheimer antecipado.

Esta foi a forma encontrada para demistificar a ideia de que a doença só atinge idosos. Afinal de contas, somente nos Estados Unidos, dados mostram que 200 mil pessoas convivem com a doença em idade inferior aos 55 anos.

A personagem Eve, sem saber quase nada do seu passado, exceto que ela tinha
uma filha chamada Ellen, luta para lembrar detalhes da sua vida antes de se tornar só mais uma entre os desabrigados do centro de Los Angeles – o que também causa grande
impacto na produção, que contrapõe ao glamour vislumbrado por Hollywood.

Assim como a personagem, o telespectador vai tentando organizar os pequenos lapsos de memória de Eve, como o fato dela ter vivido uma vida feliz com sua filha, numa realidade totalmente oposta à que ela se encontra.

Nesta angustiante busca por respostas, cada detalhe pode fazer toda a diferença e resta ao público torcer para que Eve, finalmente, lembre-se de como encontrar o caminho de volta.

Só mesmo assistindo ao curta, para entendermos rapidamente os elementos que estão conquistando o público dos festivais por onde passa.

As incríveis habilidades de atuação de Piercey Dalton, selecionada após uma exaustiva bateria de testes com mais de 150 candidatas, não pecam nem por excesso nem por falta.

A comoção e a catarse são inevitáveis frutos do encontro oportuno entre o talento da atriz com a direção primorosa de um brasileiro, até então, desconhecido no seu próprio país.

Sobre a produção

O sucesso do curta Chocolate justifica-se pela inteligente combinação de mensagem e estética.

Ainda que bastasse a importância de se falar sobre o Alzheimer antecipado, a produção vai muito além.

A fotografia premiada de Andre Chesini e a caracterização feita pela experiente Bruna Nogueira, ambos também brasileiros, merecem atenção especial por ajudarem a contrapor os dois momentos distintos na vida de Eve.

Tantos fatores positivos, não é demais acreditar em todo o potencial do curta para se destacar nos próximos festivais em que será exibido.

Chocolate, de Thiago Dadalt, está confirmado para o Catalina Film Festival em setembro, Hollywood Film festival, Carmel Film Festival e Philadelphia em outubro. Neste último, Dadalt é nomeado Melhor Diretor e melhor Drama.

Outro importante festival é o Napa Valley Film, que acontece em novembro, onde todos os filmes e artistas indicados pelo Globo de Ouro marcarão presença.

Além disso, o curta fará parte de um evento promovido pelo LACMA (Los Angeles County Museum) ao lado do longa “Para sempre Alice” com Julianne Moore, visando a conscientização sobre o Alzheimer no mês de celebração da luta contra a doença.

A avaliação para o Oscar

Em 2018, Dadalt planeja trazer o filme para o Brasil, mas há muito para acontecer neste meio tempo. Afinal de contas, “Chocolate”, que também está em vista de se tornar um longa, pode receber boas notícias em breve.

Após uma rígida triagem e competindo com filmes do mundo inteiro, “Chocolate” se classificou e será avaliado pelos membros da Academia para indicação ao Oscar 2018, o principal prêmio do cinema.

A expectativa pela lista oficial dos indicados é grande e o filme é um forte candidato. Porém, a oportunidade de ter sua produção avaliada ao lado das principais obras de produção recente, já fazem do diretor brasileiro mais que uma promessa, mas uma realidade.

Premiações do Chocolate de Thiago Dadalt

“Chocolate” é vencedor de prêmios como o de melhor atriz para Piercey Dalton, melhor drama e ainda de melhor atriz coadjuvante para Amy Argyle.

Mas, talvez o prêmio mais importante até agora, seja o “Film Heals Award” (filme de
Impacto social) no festival de Manhattan em Nova Iorque, que traduz exatamente a proposta da história que o cineasta brasileiro quis transmitir.

Este prêmio, segundo definem os próprios organizadores, é dado aos cineastas que usam o poder do filme para promover paz, justiça, igualdade e humanidade.

Um filme que tem a capacidade única de conscientizar e trazer mudanças. É exatamente assim que podemos definir a mensagem deste curta-metragem.

*Review por Paulo Sérgio Moraes

Referências
Chocolate Short Film;

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