Contra histórias únicas: Sua história

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Desde o ano passado eu venho me empenhando a ler mais literatura de temática LGBT em uma tentativa faminta de aprimorar minha percepção sobre esse universo, ao qual eu pertenço por ser gay, mas do qual ainda não me sinto parte integrante.

Grande parte dessa minha sensação órfã em relação ao universo LGBT se deve ao fato de eu não ter tido acesso à cultura LGBT quando mais jovem. Toda minha criação e base vêm de obras culturais que representam e apresentam um mundo heterossexual.

Só quando adulto e, portanto, mais recentemente, foi que tive acesso a obras que me apresentavam um universo homossexual, com as quais eu me identifiquei e me fizeram sentir melhor.

Esse fato me lembrou da palestra da nigeriana Chimamanda Adichie, na qual ela nos alerta sobre os perigos de termos uma história única.

Chimamanda conta que, quando jovem, ela só lia livros de origem inglesa, logo ela acreditava que na literatura só poderia existir personagens brancos, com cabelos lisos e que passavam frio, só quando teve acesso a escritores africanos foi que ela percebeu que sua própria realidade, calorenta, negra e de cabelos rebeldes, poderia ser representada em livros também.

Esse é um dos grandes perigos de não vermos nossa identidade representada em obras culturais de larga escala, corre-se o risco de vermos uma cultura se tornar “secundária” e as identidades se tornarem estranhas por não estarem de acordo com o padrão estipulado.

Ainda estamos longe de vermos a pluralidade de nossa sociedade representada em produções de larga escala como, por exemplo, filmes e novelas.

Mesmo nestes, quando aparecem, a representação das minorias muitas vezes vem de forma superficial e estereotipada, representando um único prisma dessas identidades, normalmente o mais fácil ou o de um formato tosco para arrancar risos de uma plateia distraída.

Por essas e outras que eu faço questão de compartilhar por aqui os filmes, livros, peças teatrais e outras obras culturais que tenho acesso que tragam, apresentem ou discutam o universo homossexual.

Espero, assim, que mais pessoas tenham a oportunidade que eu tive, de se sentirem melhor ao se verem representadas e, portanto, não solitárias.

E se o melhor antídoto contra o perigo das histórias únicas é nos munirmos do máximo possível de histórias diferentes, convido todos a contarem suas histórias, seja em livros, peças de teatros, em blogs, vlogs ou mesmo nas redes sociais, contem sua história, afinal ela com certeza fará a diferença para alguém.

Íntegra da Palestra de Chimamanda

E no mais continuemos firmes e fortes.

Referências
Chimamanda Adichie Site;

2 COMENTÁRIOS

  1. Tenho vontade d escrever um livro de tematica gay, so falta o tempo rs
    Adorei o seu site. Ja faz uns dias q tenho lido as materias mas não comentei nada até agora.
    Sei que é bom receber um feedback positivo. Esta d parabéns!

    • Poxa, muito obrigado! Realmente é muito bom receber um feedback positivo! Seja sempre bem-vindo e se tiver alguma sugestão nos envie, aliás se decidir escrever um livro nos fale que teremos prazer em comentar por aqui também.

      Muito sucesso.

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