2015 – Semana 12: Do papel social da teledramaturgia a um convite a reflexão

0
8
views

Olá amigos,

Essa semana me propus a colocar bastante notícias legais e que desse uma certa leveza aos nossos encontros semanais, mas infelizmente não foi possível. Infelizmente a realidade é mais dura e menos divertida do que queremos.

O que mais causou burburinho nas redes sociais essa semana foi o beijo entre Fernanda Montenegro e Natalia Timberg na novela Babilônia que estreou essa semana. Opiniões divergentes, aplausos e vaias fizeram com que a novela cumpra seu papel social. Coloque em discussão temas que podem ajudar no desenvolvimento da sociedade.

E pelo senso comum posso afirmar que o pior ataque é o fogo amigo e foi de um casal de gays super famosos que veio a pérola dessa semana. Domenico Dolce e Stefano Gabbana disseram ser contra os métodos conceptivos que ajudam casais heterossexuais e homossexuais a ter filhos. Elton John e outros famosos entraram em ação.

Se por um lado têm gays sendo preconceituosos a outra notícia também nos surpreende. Estamos “acostumados” a ataques de religiosos, mas dessa vez a igreja presbiteriana dos EUA comprou a causa da minoria e aprovou o casamento homossexual.

A justiça continua sendo nossa fiel aliada. Nós gays deveríamos fazer um cordão em volta do STF e louvar os ministros que tem sido os únicos a nos defender. A ministra Carmem Lucia apoiou o direito a adoção por casais homoafetivos contrariando uma ação do ministério público do PR e abrindo uma jurisprudência a nosso favor como no caso da união estável.

Nos EUA grandes empresas apoiam o casamento gay e endossam o pedido do governo americano à suprema corte para a derrubada da lei que define casamento apenas entre homem e mulher.

Mas se por um lado vemos desenvolvimento e progresso a favor dos nossos direitos, tomamos um choque de realidade quando vemos reportagens como a que diz que a Paraíba e o Piauí são os piores estados para homossexuais e que a cada 27 horas há uma vítima fatal de homofobia no Brasil.

Precisamos sim que a justiça continue a nosso favor e condene casos como fez com Levy Fidelix. Claro que ainda cabe recurso, mas espero que essa condenação seja mantida para que sirva como exemplo.

E por fim deixo um texto emocionante, mas que serve para despertar uma reflexão. Um jornalista flagrou  o filho levando o pai para um encontro com o namorado. A reação do pai surpreendeu o jornalista que pelo estereótipo do pai imaginou que ele não aceitaria. E você, costuma deixar se levar pelas aparências?

BEIJO GAY EM ‘BABILÔNIA’

A estreia da novela “Babilônia”, na noite da segunda-feira, 16/03/2015, foi marcada por uma cena de beijo entre as personagens Teresa (Fernanda Montenegro) e Estela (Nathalia Timberg). Na cena, as duas personagens conversam sobre os problemas que têm com trabalho e família.

Estela comenta que a companheira já passou da idade de trabalhar demais e depois conta que está preocupada com a filha, que voltou de Portugal falida. “Estou sempre do seu lado”, diz Teresa, confortando Estela antes de dar um beijo carinhoso na mulher, com quem está casada há 35 anos.

A forma simples como o beijo aconteceu agradou famosos e internautas. “Dez minutos de novela e já teve beijo gay?”, escreveu uma pessoa no Twitter. “São fofas, gente”, comentou outro telespectador. O deputado Jean Willys também comentou a cena. “Beijo gay no primeiro capítulo. Um beijo entre duas mulheres mais velhas, interpretadas por duas grandes atrizes. ‘Babilônia’ começa bem”, escreveu.

Mas se por um lado agradou o público LGBT e seus simpatizantes, por outro lado causou muito barulho principalmente pela frente evangélica na câmara dos deputados.

O assunto assim foi um dos mais discutidos nas redes sociais essa semana e a bancada evangélica pediu o boicote a novela.

O SBT aproveitou a discussão para lançar a propaganda da nova apresentação de Chiquititas e dizer que novela para a família é lá.

Eu que já não assisto o SBT a muito tempo pela sua péssima qualidade, tenho mais um motivo para não assistir, pois para mim novela para a família é aquela que representa todos os tipos de família.

Via e Via

ELTON JOHN DECLARA GUERRA À DOLCE & GABBANA

O cantor Elton John declarou guerra à Dolce & Gabbana. O negócio esquentou e ficou sério nas redes sociais. Depois que os estilistas italianos Domenico Dolce e Stefano Gabbana disseram numa entrevista à revista Panorama, publicada dia 12, que a procriação deve ser um ato de amor e se posicionaram contra a fertilização in vitro de pais gays – “são filhos da química que não têm mãe nem pai” -, o cantor e compositor Inglês, que tem dois filhos aderiu à técnica apoiado pelo marido David Furnish, e tem atacado os estilistas severamente. “Como vocês ousam dizer que meus filhos maravilhosos são sintéticos”, escreveu Elton para os italianos. Stefano, no entanto, se defendeu dizendo que sua declaração foi deturpada e que nunca disse ser contra famílias gays. Não adiantou. Elton não quis saber e continuou desferindo posts contra os dois. “Vocês deveriam ter vergonha de apontar seus pequenos dedos contra a fertilização in vitro, um milagre que permitiu que legiões de pessoas que se amam, heterossexuais ou homossexuais, realizem o sonho de ter seus filhos. Seu pensamento arcaico está fora de moda. Nunca mais vestirei sua grife”. John logo teve uma resposta desdenhosa de Stefano: “Quem quer vê-lo vestido de Dolce & Gabbana de qualquer jeito?”. O último post de Stefano, no entanto, diz que eles nunca falaram sobre adoção na matéria publicada.

Bastou para o cantor começar uma campanha de boicote à grife com a hashtag #BoycottDolceGabbana. Muitos usuários aderiram ao movimento, inclusive nomes conhecidos como a ex-tenista Martina Navratilova, que se casou em dezembro com Julia Lemigova. “Eu não tinha ideia. Vamos ver se este absurdo vai doer na sua conta bancária #BoycottDolceGabbana”. Ricky Martin, que teve dois filhos através de uma mãe de aluguel, também se uniu ao cantor inglês e escreveu: “Suas vozes são poderosas demais para serem esquecidas”.

Quando a polêmica se alastrou nas mídias internacionais, Stefano voltou às redes sociais dizendo que acataria todas as opiniões. Domenico também escreveu em sua defesa: “Sou siciliano e cresci com um modelo da família tradicional, feito de mãe, pai e filhos. Sei que existem outras realidades e é justo que eles existem, mas na minha opinião isso é o que me foi dado. Cresci assim, mas isso não significa que não vou aprovar outras opções. Nós acreditamos na democracia e pensamos que a liberdade de expressão é essencial. Não era nossa intenção emitir juízos sobre as escolhas dos outros. Acreditamos na liberdade e amor. #boycottdolcegabbana porque somos diferentes. E vocês odeiam opiniões diferentes, seus ditadores racistas. Liberdade de expressão”.

Esta não é a primeira vez que os designers/sócios – que já foram casados – protagonizam declarações polêmicas. Em 2006, Gabanna afirmou que se opunha à ideia de uma criança crescer com dois pais homossexuais. “Uma criança precisa de uma mãe e de um pai. Eu não conseguiria imaginar a minha infância sem a minha mãe. Também acredito que é cruel tirar um bebê da sua mãe”.

Via

IGREJA PRESBITERIANA DOS EUA APROVA CASAMENTO GAY

Modificação, aprovada pela maioria das 171 subseções regionais, já havia sido recomendada no ano passado pela assembleia-geral dos presbiterianos.

Depois de três décadas de debate, os integrantes da Igreja Presbiteriana dos EUA decidiram nesta terça (17) mudar a definição de matrimônio na Constituição da igreja para incluir o casamento homossexual, informou o jornal “The New York Times”.

Com a mudança nos documentos da igreja, o casamento deixa de ser “entre um homem e uma mulher” para passar a ser “entre duas pessoas, tradicionalmente um homem e uma mulher”.

A modificação, aprovada pela maioria das 171 subseções regionais, já havia sido recomendada no ano passado pela assembleia-geral dos presbiterianos.

“Finalmente a igreja, em seus documentos constitucionais, reconhece plenamente que o amor de gays e lésbicas é digno de ser celebrado pela comunidade da fé”, disse o reverendo Brian Ellison, diretor da Rede Aliança de Presbiterianos, que defende a inclusão gay na igreja.

“Ainda há desacordo, e eu não quero minimizar isso, mas acho que estamos aprendendo que é possível discordar e continuar juntos”, acrescentou Ellison.

Com cerca de 1,8 milhão de fiéis nos EUA, a igreja é a maior das denominações presbiterianas do país -mas perdeu adeptos nos últimos anos, à medida que adotou posições teológicas consideradas mais à esquerda. Houve uma onda de defecções a partir de 2011, quando a instituição autorizou a ordenação de homossexuais como pastores.

A saída de presbiterianos mais conservadores e as mudanças culturais no país, com maior aceitação dos casamentos entre pessoas do mesmo sexo, facilitaram a aprovação das mudanças desta terça, avalia “The New York Times”.

Nos EUA, o casamento homossexual é legal em 36 dos 50 Estados e no Distrito de Colúmbia, onde fica a capital, Washington.

Via

MINISTRA DO STF RECONHECE ADOÇÃO DE CRIANÇA POR CASAL GAY

A ministra Cármen Lúcia, do Supremo Tribunal Federal (STF), negou recurso do Ministério Público do Paraná e manteve decisão que autorizou a adoção de crianças por um casal homoafetivo.

Na decisão, a ministra argumentou que o conceito de família não pode ser restrito por se tratar de casais homoafetivos.

No entendimento de Cármen Lúcia, o conceito de família, com regras de visibilidade, continuidade e durabilidade, também pode ser aplicado a pessoas do mesmo sexo.

“O conceito contrário implicaria forçar o nosso Magno Texto a incorrer, ele mesmo, em discurso indisfarçavelmente preconceituoso ou homofóbico”, justificou a ministra na decisão.

Segundo ela, “a isonomia entre casais heteroafetivos e pares homoafetivos somente ganha plenitude de sentido se desembocar no igual direito subjetivo à formação de uma autonomizada família”.

A decisão de Cármen Lúcia foi baseada na decisão do plenário do Supremo que reconheceu em 2011, por unanimidade, a união estável para parceiros do mesmo sexo.

Na ocasião, o ministro aposentado Ayres Britto, então relator da ação, entendeu que “a Constituição Federal não faz a menor diferenciação entre a família formalmente constituída e aquela existente ao rés dos fatos. Como também não distingue entre a família que se forma por sujeitos heteroafetivos e a que se constitui por pessoas de inclinação homoafetiva”.

A decisão foi assinada no dia 5 de março e publicada na última terça-feira (17).

Via

Apple, Coca-Cola, Starbucks, Facebook, Google e Disney apoiam o casamento gay.

Nesta semana, a bancada evangélica no Congresso Nacional pediu o boicote a novela “Babilônia”, tudo por conta do beijo (sim, apenas beijo!) de Fernanda Montenegro e Nathália Timberg.

Um respiro em meio a tanto preconceito acontece lá do outro lado do continente: mais de 300 empresas, entre gigantes como AppleCoca-ColaStarbucksNikeGoogleMicrosoft , Disney, e até mesmo o Facebook, pedem à Suprema Corte dos EUA que aprovem o casamento gay.

Será que os parlamentares também pretendem convocar o boicote de todas essas empresas?

A intenção dos advogados que representam as marcas é derrubar uma lei federal americana que restringe a definição de casamento às uniões heterossexuais. Para entender melhor: essa lei se chama Ato de Defesa do Casamento (Doma, na sigla em inglês), que define o casamento como uma união somente entre um homem e uma mulher.

Via

PARAÍBA E PIAUÍ SÃO OS ESTADOS MAIS INTOLERANTES A GAYS 

Em números absolutos, São Paulo foi o Estado que concentrou mais denúncias de violência homofóbica em 2014, segundo estatísticas do Disque 100 — central mantida pela SDH/PR (Secretaria de Direitos Humanos da Presidência da República) —, totalizando 250 casos, o que corresponde a  24,68%. Rio de Janeiro e Minas gerais vêm em seguida, com 77 e 73 registros, respectivamente.

O cenário ganha outra configuração quando são consideradas denúncias por 100 mil habitantes. Desta forma, Distrito Federal assume a ponta, com 1,52% das ocorrências. Logo atrás, praticamente empatados, vêm Alagoas (1,51%), Paraíba (1,22%) e Piauí (1,22%).

Os dados encontram convergência no Relatório Anual de Assassinatos de Homossexuais no Brasil, divulgado em fevereiro pelo GGB (Grupo Gay da Bahia). De acordo com o documento, quando considerados os números absolutos, os Estados onde houve mais assassinatos de LGBT foram São Paulo (50) e Minas Gerais (30).

Já em termos relativos, as chances de ocorrer um homicídio com motivação homofóbica na Paraíba e no Piauí estão acima da média nacional. Enquanto no Brasil, os LGBT assassinados representam 1,6 de cada um milhão de habitantes, nos dois Estados nordestinos a proporção salta para 4,5 (PB) e 4,1 (PI).

A psicanalista e professora da Universidade de São Paulo Edith Modesto, que é especialista em questões de gênero, destaca que as dificuldades enfrentadas pelos LGBT ficam ainda mais acentuadas em cidades do interior e em Estados mais conservadores, onde os avanços foram pequenos.

— O transexual enfrenta todo tipo de dificuldade. Não há qualquer facilidade. O homossexual, de modo geral, está um pouco melhor se viver em grandes centros. Se viver em pequenas cidades, em estados mais conservadores, tem uma dificuldade muito pouco menor do que antigamente.

Agressores

Estatísticas do Disque 100 referentes ao ano passado indicam que os homens são os principais agressores de LGBT. Em 620 casos não foi informada qual era a relação entre suspeito e a vítima. Desconhecidos e vizinhos estão entre os agentes da violência mais comuns, com 472 e 316 denúncias, respectivamente.

A rua e a casa da vítima são os locais onde mais acontecem as violações, segundo as estatísticas.

Três muros

Desde que descobriu que o filho caçula fugia do padrão heteronormativo, a professora Edith Modesto decidiu dirigir sua pesquisa para as questões de gênero. Há 25 anos, ela fundou o GPG (Grupo de Pais de Homossexuais) e, em 2011, recebeu o prêmio Tese Destaque USP por seu trabalho de doutorado intitulado “Homossexualidade: Preconceito e Intolerância —  Análise Semiótica de Depoimentos”.

De acordo com ela, há três muros que o LGBT precisa transpor: o social, a escola e a família. Este último é um dos mais difíceis de ser superado, conforme Edith. A psicanalista explica que é um processo complexo para muitos pais aceitar que o filho não está de acordo com a norma social.

— As famílias, em geral, querem ter um filho heterossexual, porque foi aquilo que aprenderam ser o melhor. Sabem também que o filho vai ter uma vida mais difícil. Há decepção, vergonha, medo, tristeza. Não é fácil. Temos que considerar que o preconceito é social e está internalizado em todos, inclusive, nos LGBT, o que atrapalha a autoaceitação.

Via

HOMOFOBIA MOTIVOU UM ASSASSINATO A CADA 27 HORAS EM 2014 NO BRASIL

Em 2014, 326 pessoas morreram no Brasil em razão da homofobia, o que significa um assassinato a cada 27 horas.  Os dados fazem parte do Relatório Anual de Assassinatos de Homossexuais no Brasil, divulgado em fevereiro pelo GGB (Grupo Gay da Bahia).

O levantamento é feito com base em notícias veiculadas na imprensa. De acordo com o documento, o número de casos cresceu em 4,1 % na comparação com 2013.

A subnotificação impede uma radiografia fiel da realidade.  O antropólogo Luiz Mott, fundador do GGB e coordenador da pesquisa,  estima que todos os dias, no mínimo, um homicídio com motivação homofóbica ocorra no País, o que coloca o Brasil no topo do ranking.

— Hoje, 50% dos assassinatos de pessoas trans no mundo acontecem no Brasil.

Mott afirma que os crimes contra os LGBT (Lésbicas, Gays, Bissexuais, Travestis e Transexuais) são marcados pela imprevisibilidade.

— A falta de um padrão sistemático, regular da intolerância e da violência é um problema. A única tendência fixa é que sempre são mais gays [vítimas]. Em segundo lugar, as travestis e, em terceiro, as lésbicas.

O antropólogo completa, enfatizando que, em termos relativos, travestis e transgêneros estão mais expostos, uma vez que essa população não chega a 1 milhão no País, enquanto a de gays está na casa dos 20 milhões, conforme organizações que atuam junto a esses segmentos. Uma das explicações para essa vulnerabilidade estaria no estilo de vida marginalizado.

— Ninguém quer empregar uma travesti. Na escola, elas são humilhadas, expulsas e a prostituição se torna meio de sobrevivência.

Dos 326 mortos registrados no levantamento de 2014, 163 eram gays, 134 travestis, 14 lésbicas.

Via

LEVI FIDELIX É CONDENADO A PAGAR R$ 1 MILHÃO PARA ENTIDADE GAY POR OPINAR CONTRA A HOMOSSEXUALIDADE

O Tribunal de Justiça de São Paulo condenou na última sexta-feira (13) Levy Fidelix, ex-candidato do PRTB à Presidência, ao pagamento de R$ 1 milhão de indenização por danos morais a movimentos Lésbicas, Gays, Bissexuais, Travestis, Transexuais e Transgêneros (LGBT) devido a declarações realizadas durante um debate nas eleições de 2014.

O valor, corrigido, será destinado a ações de promoção de igualdade da população LGBT. A sentença é em primeira instância e cabe recurso.

A ação civil pública foi ajuizada pela Defensoria Pública do Estado de São Paulo e alegou que, durante um debate presidencial transmitido em 28 de setembro de 2014, o candidato usou expressões como “dois iguais não fazem filho” e que “aparelho excretor não reproduz” ao se referir a casais homossexuais.
Ele respondia a perguntas da então candidata Luciana Genro (PSOL) sobre “o motivo pelo qual muitos daqueles que defendem a família se recusam a reconhecer o direito de casais de pessoas do mesmo sexo ao casamento civil”. “O candidato teria afirmado ainda que o mais importante é que a população LGBT seja atendida no plano psicológico e afetivo, mas ‘bem longe da gente’”, defendeu a defensoria na ação.

Na resposta, Levy teria comparado a homossexualidade à pedofilia, que é crime, afirmando que o Papa Francisco promove ações de combate ao abuso sexual infantil.

Na decisão, a juíza Flavia Poyares Miranda entendeu que o candidato, ao responder aos questionamentos, “ultrapassou os limites da liberdade de expressão, incidindo sim em discurso de ódio, pregando a segregação do grupo LGBT”. “Não se nega o direito do candidato em expressar sua opinião, contudo, o mesmo empregou palavras extremamente hostis e infelizes a pessoas que também são seres humanos e merecem todo o respeito da sociedade, devendo ser observado o princípio da igualdade. No que tange aos danos morais, a situação causou inegável aborrecimento e constrangimento a toda população, não havendo justificativa para a postura adotada pelo requerido”, entendeu.

Via

 “UM PAI LEVOU O FILHO ADOLESCENTE PARA VER O NAMORADO E RESTAUROU MINHA FÉ NA HUMANIDADE”

Sabe aqueles momentos que parecem ter saído de um filme? Você sabe quais são – quando você literalmente fica esperando começar tocar uma música inspiradora no ponto em que uma cena comovente chega a seu clímax bem na sua frente? Bem, eu fui testemunha de uma que valia um Oscar.

Esse fim de semana eu estava em um Starbucks, escrevendo – eu sei, não dá pra ser muito mais clichê que isso – quando eu percebi que um homem e seu filho entravam na loja. Meu gaydar me informou imediatamente que eu estava na presença de alguém como eu. O garoto era muito bonito, vestia uma camiseta da Lady Gaga e um par de jeans enrolados, e parecia ter por volta de 16 anos. O homem que parecia ser seu pai, e só poderia ser descrito como um homem com jeito de homem, estava acompanhando-o. Com uma estatura corpulenta e intimidadora, ele vestia uma camisa com estampa de camuflagem e um par de jeans sujos.

Pouco depois outro garoto, mais ou menos da mesma idade, atravessou a porta. Ele caminhou até o primeiro menino e abraçou-o com carinho. O pai acenou para o garoto com a cabeça, severo, num cumprimento bem macho. “Oh-oh”, pensei, ele não parecia ser o tipo de cara que estaria super feliz de ter um filho declaradamente gay. Os garotos se dirigiram até o balcão para pedir seus cafés carésimos e o pai pagou a conta.

Depois que os dois receberam suas bebidas e se sentaram, o pai disse aos garotos “Tratem de se comportar”, e apertou a mão dos dois (eu disse que ele era homem com jeito de homem). Ele falou para seu filho ligar quando quisesse voltar para casa, e saiu da loja. Virado para a porta da frente, eu vi o pai parar em frente à vitrine. De costas para a porta, sem se darem conta de que o pai ainda estava observando, os garotos se aproximaram e deram-se um beijo. Para minha surpresa, a reação do pai foi abrir um sorriso enorme. Seu filho estava apaixonado, e não fazia diferença que era com um garoto.

Do lado de dentro eu estava pirando. Eu me segurei porque estava num lugar público, mas eu queria chorar de alegria por causa do momento lindo que eu testemunhei. Mas daí eu me liguei; eu havia acabado de ser preconceituoso com alguém. Eu tinha presumido que, como esse homem se encaixava em um certoestereótipo, ele automaticamente seria contra a igualdade, e de jeito nenhum seria a favor da sexualidade de seu filho.

É fácil se tornar cínico e desiludido, especialmente quando parece que todo dia nós ouvimos histórias devastadoras como a de Leelah Alcorn, que acabou com a própria vida por causa da rejeição que sofreu de seus pais depois que se declarou trans. Eu mesmo tive que enfrentar a rejeição de grande parte da minha família conservadora por causa da minha sexualidade – algo que levei anos para superar. Tendo dito isso, me ocorreu que, para um grupo que muitas vezes sofre de tanto preconceito, as pessoas da população LGBT também podem ser muito preconceituosas. Nós às vezes pressupomos que as pessoas nos odeiam por causa de nossa identidade – e muitos sem dúvida odeiam mesmo – mas não podemos nos esquecer que há pessoas que são muito melhores do que nós lhes damos crédito.

Para cada história de alguém que escreve “VIADO” na porta do apartamento de um casal gay, há uma de um pai que sorri quando vê seu filho gay adolescente beijar o menino de quem gosta abertamente. Para cada história horrível sobre sair do armário, há a história de uma família que trata seus membros amados com respeito e aceitação.

Não há dúvida de que não devemos subestimar as lutas que nossa comunidade enfrenta. Nós não devemos mostrar apenas as histórias boas e ignorar as ruins. Não devemos parar de lutar pela igualdade só porque alguns já a alcançaram. Mas eu tenho que dizer, quando vierem aqueles dias em que parece que tudo está contra nós, agora eu tenho a cena que eu presenciei num Starbucks – uma cena deamor e aceitação vinda de onde eu menos esperava – para me dar uma razão para sorrir.

Via

Aproveitem esse último texto para refletir sobre seus preconceitos e não percam a fé, pois é ela que nos faz continuar em busca de dias melhores.

Abraços, Sam.

Deixe uma resposta