Dois grandes desafios que enfrentei durante minha saída do armário e o próximo que quero enfrentar

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Ainda essa semana estava falando com um amigo sobre alguns paradoxos de ser um homem homossexual nessa sociedade contemporânea e até citei alguns exemplos da minha própria vida.

Durante o processo de me assumir, por exemplo, eu tive que me aceitar duas vezes em dois pontos muito distintos. Na primeira vez eu aceitei minha sexualidade e aprendi a ter orgulho do que eu sou.

Nesta fase eu comecei a encarar o mundo como um homossexual sem medo de ser feliz, ou seja, trabalhei para me impedir de ter vergonha quando alguém “reconhecia” minha homossexualidade. Pelo contrário, assumi minha identidade com orgulho e comecei a aprender que ser um homem delicado e gentil não era motivo para eu me envergonhar, mas sim parte de minha identidade.

Quando finalmente acreditei ter conseguido aprender a lidar com isso, eu sofri um grande impacto ao entrar no mundo gay e encontrar o mesmo preconceito entre os homossexuais.

Novamente, eu tinha que defender o que eu era, mesmo que desagradasse aqueles que me cercavam.

No ambiente gay, um homossexual mais delicado e gentil é tão pouco desejado quanto em ambientes heterossexuais. Parece que existe um padrão pré-estipulado para o homem que, se não alcançando, tira a gente do circuito dos desejáveis.

Eu mesmo sofri muito com isso, vários foras porque não tinha o corpo ideal ou o jeitão másculo que muitos gays seguem a risca. Inclusive já fui criticado por ser fofo demais (caso verídico).

Foram mais alguns anos para que eu finalmente começasse a entender que buscar esses ideais criados puramente pela nossa cultura machista era uma grande besteira. Foi então que eu passei pelo segundo momento de me aceitar.

Decidi que eu não iria buscar ou cultivar essas expectativas alheias em academias, vigiando meus trejeitos ou mesmo no meu ritmo de fala. Se alguém tem que se apaixonar por nós, que seja como somos de verdade.

Não é fácil bancar o que se é, eu pago um alto preço para manter minha dignidade e minha liberdade de ser como sou, um homem gay, feliz e delicado.

Se eu tiver que passar o resto da vida sozinho por ser assim, tenham certeza de que eu vou fazer o melhor que puder para aproveitar o dessa vida tudo que for bom, justo e honesto. No mais, me esforçando muito para evoluir sempre.

Um dos meus próximos anseios, por exemplo, é viver um grande amor com um transhomem, pessoas que me atraem muito (vejam o Oliwer Mastalerz, por exemplo).

E por falar em transhomem e paradoxos gays, me lembrei do cartunista Bill Roundy que fala justamente sobre esses dois universos.

Ele, que também sente atração por transhomens, fez um quadrinho especialmente explicando um pouco mais sobre seus próprios desafios nesse mundo contemporâneo:

Além disso, Bill também já escreveu lindas historinhas de amor gay para gente sonhar bastante.

Então, com muita vibração positiva, continuemos sempre firmes e fortes bancando quem somos de verdade.

Referências
Lado Bi; Bill Roundy.

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