Façam suas apostas: É o Oscar, baby!

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Será que o grande prêmio do Cinema ainda guarda alguma surpresa?

Texto de Francisco Carbone

Oscar 2016:

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Das corridas mais emocionantes dos últimos anos, a premiação desse ano tem sabor de expectativa. Por conta da indefinição da duas categorias principais, aconteceu o óbvio e a corrida inteira se abalou. Hoje a certeza se dá em praticamente 6 categorias: ator, atriz, roteiros, estrangeiro e animação. Durante todo janeiro, observamos o barco pender para um lado ou outro a cada semana, diante dos Globos de Ouros, Critics Choices e sindicatos e por fim os BAFTAs. Todos sabemos que os reais previsores são os sindicatos, mas numa corrida tão aberta tudo e qualquer coisa pode influenciar a todo momento.

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Em dezembro, a crítica americana decidiu que Spotlight era seu filme do ano, e o George Miller de “Mad Max” seu diretor. A bola das duas produções então começou a subir sem parar. Na seara dos atores, Leonardo DiCaprio, Brie Larson e Alicia Vikander eram escolhas no geral em ator, atriz e atriz coadjuvante, respectivamente por “O Regresso”, “O Quarto de Jack” e “Ex Machina; entre os coadjuvantes masculinos rola uma briga desde sempre entre Sylvester Stallone (“Creed”) e Mark Rylance (“Ponte de Espiões”), com ligeira vantagem para o primeiro na grande surpresa do ano. Mas na hora que os prêmios televisionados começaram a pipocar, as coisas não só mudaram como continuam mudando a cada novo lance. Se o Globo de Ouro promoveu a reviravolta inicial apontando “O Regresso” e seu diretor Alejandro Gonzales Iñarritu os melhores, o Critics Choice manteve as escolhas da crítica intactas. Mas o sindicato dos produtores escolheu “A Grande Aposta”, o dos atores escolheu o elenco de “Spotlight” e o dos diretores escolheu Iñarritu. E agora, onde marcar nos bolões?

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Toda essa indefinição torna a corrida muito mais emocionante, mas também incerta. Porque a essa altura, a dança das cadeiras dos prêmios pode estar provocando mudanças essenciais também na escolha dos prêmios técnicos. Se até um mês atrás o Oscar parecia ir pra direção de Miller, isso provocaria um efeito cascata e poderíamos ver com clareza uma grande quantidade de indicações técnicas se transformar em prêmio; com o crescimento do nome de Iñarritu na categoria, já se fala que “O Regresso” pode ganhar além dos certos troféus de ator e fotografia.

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E quanto a “Spotlight” e “A Grande Aposta”? Estarão mesmo dois dos melhores indicados da temporada relegados a seus justos prêmios de roteiro? A verdade é que nenhum dos dois filmes se tornou um arrasa quarteirão, o primeiro está em 35 milhões arrecadados e o segundo o dobro. Mas seus perfis exigentes talvez deem lugar ao blockbuster que a Academia procura a tres anos. Até o presente momento “O Regresso” já ultrapassou os 160 milhões nos EUA (mais de 300 em todo mundo), sem sinais de cansaço. Depois de dois anos seguidos de filmes com perfil e arrecadação de circuito de arte, a saga verdadeira de Hugh Glass pode ser um sonho para eles. Mesmo que esse sonho signifique premiar a mesma equipe por dois anos seguidos.

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Hoje essa é a pergunta que não quer calar. Ninguém está ansioso para saber se “Filho de Saul” perderá o Oscar (não perderá) ou se a Pixar irá levar novo boneco pra casa (sim, irá), mas a dúvida real é: o caráter épico e a bilheteria astronômica serão suficientes para fazer Alejandro Gonzales Iñarritu entrar para a história do cinema como o primeiro diretor a reprisar em anos consecutivos os Oscars de filme e direção? Pois o que parecia impensável hoje é uma realidade muito palpável, mesmo com o lado humanista do drama sobre os abusos da igreja de “Spotlight” e a verve pop de “A Grande Aposta” para falar sobre a crise econômica americana. Regras existem para serem quebradas e a Academia adora um eterno “pela primeira vez na história”. Merecimento? Guardemos isso para nossas listas particulares.

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