Pecado da carne de Haim Tabakman

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Pecado da Carne

Ficha Técnica
Título: Pecado da Carne (Eyes Wide Open)
Direção: Haim Tabakman
Gênero: Drama
Ano: 2009
Duração: 93min

Talvez o maior desafio de sermos seres conscientes de nossa existência, seja o fato de termos que lidar com a morte dos queridos e com o nosso próprio fim.

Além desse, vários outros mistérios da vida podem nos causar medo, insegurança ou mesmo curiosidade, e se hoje buscamos na ciência grande parte das respostas para essas questões, não podemos deixar de observar que é na religião que muitos encontram caminhos para acalentar as dores do desconhecido.

O grande problema é quando uma religião se torna um elemento mais político do que acalentador, sendo usada para controlar massas e assim conquistar ou manter o poder para seus dirigentes.

Dentro deste aspecto, o controle imposto por essas religiões normalmente entram em conflito direto com o lado mais natural do ser humano, ou seja, seu lado animal.

Nesta tentativa de construir um ser idealizado e livre das características animalescas, as religiões podem impor-se de tal forma que mutilem até aspirações e desejos inofensivos, minando a felicidade plena do ser humano, em prol de um falso ideal – romântico e impraticável.

É nesse âmbito que o filme de Haim Tabakman me pareceu mais tocante. Nele o açougueiro Aaron Fleishman vive uma vida regrada em um bairro ultra-ortodoxo de Jerusalém, mantendo sua família dentro dos moldes esperados pelo conservadorismo de sua religião.

A relação morna e tranquila do personagem com sua família, clientes e membros religiosos é bem explorada em cenas vagarosas e diálogos com longas pausas. Apenas algumas pontuações de felicidade quebram a monotonia do filme, pintando assim a narrativa como uma metáfora da vida do personagem.

A história desse açougueiro muda quando o jovem Ezri entra em sua vida, e, indo trabalhar com ele, torna-se seu amante.

Como em toda comunidade cerceada por uma religião ultraconservadora, a relação não demora em ser descoberta e espalhada por uma rede de fofocas e maledicências, o que incita a violência contra a presença de Ezri no bairro, violência essa praticada principalmente pelos jovens (semelhanças com nossa realidade não será mera coincidência).

Relutante em expulsar seu amante, mesmo diante da violência, Haim é confrontado em relação a sua recusa em um diálogo forte e revelador que transcrevo a seguir:

Por que é tão difícil dizer para ele ir embora? Por que você é tão teimoso? […]

Estou vivo. Preciso dele. Eu estava morto. Agora, estou vivo.

Com essas palavras, o açougueiro explicou lindamente como sua verdadeira essência foi finalmente liberta nos braços de quem ele realmente desejava.

Resta-nos torcer para que um dia o amor seja liberto na nossa vida e possamos assistir a filmes como esse lembrando de uma já época morta.

Trailer

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