Filmes Gays: Praia do futuro de Karim Aïnouz

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Praia do Futuro
Praia do Futuro

Ficha Técnica
Título: Praia do Futuro
Direção: Karim Aïnouz
Gênero: Drama
Ano: 2014

Um convite a introspecção é o que aguarda aqueles que se propuserem a assistir ao Praia do Futuro de Karim Aïnouz.

O filme narra a história do salva-vidas Donato (Wagner Moura) que, após não conseguir salvar um turista do afogamento, acaba se envolvendo amorosamente com o amigo deste, o alemão Konrad (Clemens Schick).

A trama traz ainda o irmão mais novo do salva-vidas, Ayrton (Sávio Ygor Ramos/Jesuíta Barbosa), como um elemento a mais na narrativa, mas para quem espera ver grandes dramas e conflitos nas telonas, pode sair decepcionado.

A construção audiovisual foi desenvolvida para propor diversos conflitos, mas eles ficam no campo da sugestão, cabe ao expectador preencher, por empatia ou suposição, as diversas lacunas do filme deixa.

Os diálogos são econômicos e mesmo as interações entre os personagens deixam um largo espaço aberto para interpretações, para quem gosta de assistir obras mais fechadas, esta pode ser um experiência um pouco desconfortável.

Para deixar a obra tão aberta, o diretor usou bastante os elementos visuais, deixando os diálogos e as ações num limiar entre o vago e o raso, o que pode não deixar tão claro uma das propostas centrais do filme, explorar as posições dos personagens diante do risco.

Mesmo o amor entre os dois personagens principais acontece em uma plasticidade estética que dificulta seu aprofundamento e nos faz experimentar uma relação que parece querer evoluir para um romance, mas por vezes dá a impressão de não conseguir sair de uma amizade despretensiosa entre dois homens, com alguns rompantes de sexo selvagem.

É um bom filme para assistir com amigos e conversar sobre ele depois, construindo, desse modo, algumas conclusões e interpretações para a narrativa, assim você pode descobrir muita coisa que nem imagina, no filme, nos amigos ou em você mesmo.

E só para fechar, o filme tem sim cenas de nudez explícita, tanto do Wagner Moura quanto do Clemens Schick, e algumas cenas de sexo selvagem entre eles. Porém, sobre isso o próprio Wagner disse tudo que poderia ser falado durante a entrevista coletiva de lançamento na cidade de Berlim:

Temos que ter responsabilidade de não fazer isso virar um assunto. É preciso ver essa relação entre eles com naturalidade. Se fosse com um homem e uma mulher, ninguém estaria falando sobre isso. Ter no cinema um filme em que dois homens podem se amar não é um problema, é muito bom.

E no mais, continuemos firmes e fortes.

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