Gordofobia e mundo gay – Tire seus padrões do meu corpo

0
15
views
gordofobia: tire seus padrões do meu corpo

Gordofobia é o preconceito contra pessoas consideradas acima do peso.

Mais do que uma preocupação com a saúde, é aquela série de frases prontas usadas para diminuir ou ofender pessoas fora do peso considerado ideal.

Principalmente dentro do universo homossexual, eu senti forte esse tipo de preconceito.

Talvez porque muitos gays valorizam bastante o corpo malhado em adoração ao conceito do hipermasculino.

Ou seja, mais uma tentativa de negação de qualquer traço que culturalmente se conecte ao conceito de feminino, usando reforço exagerado do ideal masculino (no caso, músculos).

No mundo corporativo, independente da sexualidade predominante, percebo um aumento gradativo desse tipo de preconceito, com ofensas que vão da “brincadeira jocosa” ao desprezo ofensivo com piadinhas que não vou reproduzir aqui.

Acho interessante que, em uma época onde tentamos valorizar a diversidade e o respeito, um preconceito tão superficial venha ganhando mais espaço.

Tirando os guetos formados por homens gays com mais peso, como o dos Bears (ursos), por exemplo, vejo uma onda crescente de rejeição por qualquer homem gay que não ostente um bíceps monstruoso.

Alimentado por uma mídia que precisa vender produtos milagrosos para nos manter jovens, malhados e bonitos, essa onda parece longe de terminar.

Tirando os admiráveis movimentos que vem abrindo espaço para perfis “marginalizados” como o gay feminino, o gordo, a travesti e etc., muito desse preconceito vem sendo alimentado indiscriminadamente.

Aliás, mesmo entre os fãs de parte destes movimentos, já vi preconceito com perfis diferentes de si como, por exemplo, o gay feminino falando mal do gordo, e vice-versa.

A gordofobia em um mundo doente.

 Longe de tentar fazer uma leitura completa desse preconceito, teço aqui algumas considerações que vieram a partir de algumas das minhas observações e até do preconceito que eu mesmo sofri por não estar dentro do IMC correto ou ter o corpo considerado ideal.

Não é novo vermos a mídia vender conceitos fantasiosos de “pessoas ideais” em filmes, séries, novelas, comerciais, outdoors e etc.

Com corpos impossíveis, muitas vezes manipulados digitalmente, essas obras culturais nos vendem uma noção irreal da vida e das pessoas, o que nos oprimi a uma busca ineficaz por uma semelhança com essas imagens retocadas.

Gordofobia: Comparação de homem real com David Beckham
David Beckham em imagem comparativa com “homem real” no The Sun

Em filmes pornôs, por exemplo, existem padrões até para as genitálias, o que reforça ainda mais a percepção fantasiosa de “pessoa ideal”.

Nessa busca para se adequar ao conceito de humano bonito, vejo pessoas em um constante regime alimentar. Inclusive, já cheguei a ouvir frases como “estou de regime para sempre”.

Frequentar academia, praticar esportes ou estar na onda crossfit, spinning ou qualquer nova onda de exercícios da moda é assunto na maioria das mesas de bar ou no almoço com os colegas de trabalho.

E repito, muito além da preocupação com saúde ou evitar sedentarismo, a maioria dessas iniciativas estão na verdade buscando a construção de uma autoimagem impossível baseada em referências irreais (mesmo que venha disfarçada no pacote admirável do discurso da saúde).

E estar em regime alimentar constante ou ser viciado em exercícios pode levar a tantas ou a mais doenças do que pessoas com sobrepeso possam ser vulneráveis.

Isso porque não estou incluindo aqui cirurgias plásticas, suplementos alimentares e outros recursos para plastificar quem você é em busca de parecer com aquele ator da novela.

Quem perde com a gordofobia?

Quem mais tem a perder com isso são as pessoas fechadas em seus preconceitos que, alienadas, perdem a chance de compartilhar bons momentos e até um romance com alguém incrível por uma frivolidade estética.

Sempre achei os caras gordos mais atraentes, e sempre fui muito feliz com os gordinhos que passaram pela minha vida.

E o mais importante é que nem por isso me fechei aos magros e malhados, até porque toda essa superficialidade um dia passa.

Vale lembrar que ter saúde não é sinônimo de ser magro ou malhado, portanto aquele cara gordinho pode ser muito mais saudável do que o malhado-estrela do Instagram.

O que eu realmente sinto falta é de reeducarmos nossos olhares e opiniões para ultrapassar o ideal imposto, aprendendo a ver mais tipos de belezas do que o galã do filme de herói (e o mais legal é que ao contrário dele isso existe mesmo!).

Parar de reproduzir o preconceito imposto, ofendendo ou diminuindo quem não tem o corpo semelhante ao do Christiano Ronaldo (foto) pode ser difícil para quem já se acostumou a diminuir o outro para se sentir melhor, mas o resultado final é significativamente mais positivo.

Gordofobia - Cristiano Ronaldo (Imagem ilustrativa)
Cristiano Ronaldo em imagem comparativa com “homem real” no The Sun

E no mais, se alguém precisa diminuir outra pessoa para se sentir melhor, é esse alguém que precisa de tratamento médico urgente.

Então, menos preconceito e mais respeito sempre.

Gordofobia: Homens reais
Propaganda da Dressmann que apresenta “homens reais” de cueca

Referências
Imagem da capa; The Sun (Homens reais em fotos padrão de propagandas de cueca)Publicitta (Homens reais em propaganda de cueca da Dressmann);

Deixe uma resposta