Homossexualidade como doença: Juiz abre brecha para cura gay no Brasil

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Homossexualidade como doença - Cura Gay

Homossexualidade como doença no Brasil foi oficialmente derrubada na resolução CFP N° 001/99 do Conselho Federal de Psicologia, mas o juiz Waldemar Cláudio de Carvalho, da 14ª Vara do Distrito Federal, quer mudar isso.

Homossexualidade como doença - Cura Gay
Manifestação contra Cura Gay em São Paulo

Homossexualidade como doença: uma decisão que dá mais força a homofobia

Em uma liminar publicada em 15 de setembro de 2017 (veja na íntegra) o juiz torna legalmente possível que psicólogos ofereçam pseudoterapias de reversão sexual – conhecida popularmente como a cura gay.

Apesar de não falar abertamente da cura gay e ainda afirmar que “a homossexualidade constitui uma variação natural da sexualidade humana, não podendo ser, portanto, considerada como condição patológica“, a decisão claramente abre espaço para essas práticas e, portanto, para discursos que colocam a homossexualidade como doença.

Em trecho da decisão o juiz declara que os psicólogos podem promover: “estudos ou atendimento profissional, de forma reservada, pertinente à (re)orientação sexual, garantindo-lhes, assim, a plena liberdade científica acerca da matéria, sem qualquer censura ou necessidade de licença prévia“.

Qualquer tratamento de (re)orientação sexual por si só é um absurdo e, como socialmente dificilmente (ou nunca) ela será aplicada a heterossexuais – principalmente porque boa parte dos autores do pedido da liminar pertencem à instituições religiosas fundamentalistas e homofóbicas – a liminar no fim apenas reforça a patologização da homossexualidade e dá força a discursos de ódio e intolerância, como já podemos ver nas redes sociais:

Homossexualidade como doença - Cura Gay
Comentários após liminar do juiz

Reação contra a intolerância: #TrateSeuPreconceito

Homossexualidade como doença - Cura Gay
TrateSeuPreconceito – Google

Desde que a decisão foi publicada uma onda de protestos começou pelo país, inclusive artistas e personalidades famosas aderiram ao movimento de apoio a pessoas LGBTs.

Com a hashtag #TrateSeuPreconceito, empresas como Google também deram sua mensagem de apoio em defesa ao amor.

Passeadas e manifestações também foram organizadas Brasil a fora, como, por exemplo, em cidades como Rio de Janeiro (RJ), São Paulo (SP), Campinas (SP), Maringá (PR) e Florianópolis (SC).

Um verdadeiro levante para defender, mais uma vez, uma população estigmatizada e perseguida por grupos religiosos fundamentalistas, intolerantes, homofóbicos ou LGBTfobicos das mais diversas vertentes de ódio gratuito.

5 pontos importantes sobre a cura gay e sua abordagem da homossexualidade como doença

Homossexualidade como doença - Cura Gay
Manifestação contra Cura Gay em São Paulo

Quando se fala em cura gay ou na tentativa da concepção da homossexualidade como doença, podemos citar cinco grandes pontos de imediato:

1. A dor e o desconforto sentido por pessoas gays não é devido a sua sexualidade, mas sim ao preconceito e a perseguição praticada pela parte intolerante da sociedade (afinal, você já viu algum heterossexual se sentindo mal com sua sexualidade?).

2. Tratamentos de reversão da sexualidade ampliam e reforçam a homofobia, uma vez que alimentam uma ideia errada de “escolha passível de ser alterada” voltada exclusivamente para pessoas gays (mesmo que só nas entrelinhas).

3. Ao contrário da homossexualidade (que não faz mal a ninguém), a homofobia mata milhares de pessoas gays ao redor do mundo, principalmente no Brasil, no entanto este preconceito assassino entra menos em pauta do que a tentativa da patologização da homossexualidade e normatização da sexualidade por escolhas religiosas.

4. Esse tipo de tratamento é altamente cruel e humilhante para as pessoas gays, podendo piorar ou até criar quadros de depressão profunda levando muitas dessas pessoas ao suicídio.

5. Existe um enorme interesse financeiro por trás do endosso da cura gay, pois assim instituições poderão cobrar altas somas de dinheiro para aplicar um tratamento sem qualquer comprovação científica de funcionamento tirando dinheiro de pessoas confusas que só precisam aceitar que não há nada de errado com elas ou com seus familiares (homofóbicos é que precisam de tratamento).

Referências
Vermelho; ElPais; Facebook de Cristiana Serra;

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