A mão e a contramão de 2014 – Uma retrospectiva gay

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Olá amigos,

O ano de 2014 se encerra e como já virou clichê é momento de fazermos uma análise do que deu certo e errado, o que vale a pena continuar apostando ou ser descartado junto com o ano, que dentro de poucas horas, será passado.

Minha análise sobre este ano é que ele foi contraditório em si mesmo. Se por um lado avançamos, por outro regredimos ou continuamos na mesma.

Mais uma vez nos entristecemos e nos amedrontamos com notícias de espancamentos e assassinatos de homossexuais. A violência é algo com o qual não podemos nos acostumar, seja qualquer tipo de violência, contra qualquer ser humano. Portanto, nossa luta precisa continuar em relação a isso.

Durante este ano continuamos atônitos com asneiras ditas por religiosos e políticos. E, sinceramente, me faltam palavras para descrevê-los, afinal, eles não são obrigados a nos amarem e a nos bajularem, mas poderiam fazer o favor de nos ignorarem.

Segundo eles mesmos fazemos um mal enorme à sociedade, mas eles não nos esquecem um só momento e infelizmente não nos deixam esquece-los tão pouco.

Mas nas flores não há só espinhos, e as pétalas também embelezaram o ano e nos deram seu aroma.

Nunca antes candidatos à presidência da república pararam para discutir direitos LGBT na televisão.

Meus caros, ninguém começa uma construção pelo acabamento. Pode ter sido pouco, mas já foram alguns tijolos na construção do desenvolvimento deste país.

O Vaticano parou para discutir e se posicionar sobre a união de homossexuais. Nada mudou por enquanto, mas este também foi mais um tijolo para construção de um novo mundo.

Eles não terão o mesmo tempo que tiveram até hoje, em breve terão que se reunir novamente e debater isso, até cederem.

E vale lembrar, que mesmo não autorizando a união entre homossexuais, o Papa Francisco pediu respeito por todos, que todos são filhos de Deus e não cabe a ele, autoridade máxima da igreja Católica, julgar ninguém.

Isso não é um avanço?

Mas, e a nossa parte?

Neste ano, como em vários outros, mais uma vez as paradas de orgulho LGBT foram micaretas onde a maioria se reuniu apenas para se divertir.

Poucos estavam lá para defender uma causa, mesmo que nós sejamos os maiores interessados e beneficiados com políticas públicas e sociais que nos defendam e nos deem direitos já conquistados, por exemplo, por negros, mulheres e outras minorias.

Sinto que a comunidade LGBT espera que os outros façam por eles. Meus caros, se não arregaçarmos as mangas e formos à luta, não conseguiremos nada.

Contudo, no Rio de Janeiro, o deputado Jean Wyllys foi reeleito com uma votação muito expressiva.

Parabéns ao povo fluminense que soube aproveitar essa oportunidade de eleger quem nos representa de verdade e que luta com veemência por uma justiça igualitária.

Quem o acompanha nas redes sociais consegue ver seu trabalho e como ele leva a sério seus mandatos.

Em São Paulo nenhum representante LGBT foi eleito. Isso para mim mostra a desunião e o despreparo da população que ainda não sabe utilizar o voto de forma correta e tratam as coisas com leviandade, reelegendo candidatos por serem humoristas engraçadinhos, mas que no fim só servem para rir de uma sociedade que ainda os aplaudem.

Para mim, 2014 deu a oportunidade de conhecer pessoas maravilhosas, participar de um grupo no Facebook que me fez conhecer pessoas que gostam de um bom papo, gostam de pensar, mas que, infelizmente, também tem entre seus membros mais do mesmo.

Pessoas que só pensam em paqueras, sexo e balada é a maioria dos integrantes. Qualquer programa social, durante o dia, com discussão de ideias é careta demais e atraem poucos interessados.

Também conheci escritores que são gays, mas não necessariamente escrevem só sobre o tema, e estão batalhando muito em suas obras para alcançar o sucesso mais que merecido.

Para 2015 quero estreitar minhas amizades com pessoas que me acrescentem e que eu possa contribuir para o crescimento delas também.

Espero que continuemos em nossa luta, mesmo que particular, para fazermos um mundo melhor e mais justo, não só para quem pertence à sigla LGBT, mas um mundo onde todos os seres vivos possam conviver melhor, tratando nossos recursos naturais com responsabilidade, inclusive.

A crise hídrica em São Paulo já nos mostra que não tem mais como deixar para depois ou para outra geração resolver os problemas ambientais. O momento é este.

A hora é agora de levantarmos e irmos embora porque esperar não é saber.

Abraços, Sam.

Referências
Latuff Site;

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