Mickey Carpathio conta como vive um garoto de programa em New York

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Mickey Carpathio

Mickey Carpathio conta sobre como vive um garoto de programa em New York em uma entrevista exclusiva e ainda fala sobre os bastidores do universo do sexo.

Sobre a entrevista

O mundo dos profissionais de sexo ainda é cercado de muito preconceito; isso é fato. Todavia, além do preconceito há ainda o quê de fantasia e curiosidade que envolvem a figura do trabalhador da noite, que já foi romantizado na Literatura, como em ‘Bonequinha de Luxo’ de Truman Capote, e no Cinema, como ‘Uma Linda Mulher’, só pra citar alguns exemplos. Em todo lugar do mundo pessoas se utilizam dessa atividade para ganhar a vida. Alguns por prazer, outros por esporte, outros por vaidade, outros apenas pelo dinheiro mesmo… Então por que foi tão complicado conseguir uma entrevista?

Eu estava tentado entrevistar um garoto de programa por quase um ano, mas sempre esbarrava em alguns problemas: Ou o cara era famoso demais na indústria de filmes adultos e não queria falar sobre seu outro lado, ou cobravam muita grana, ou simplesmente tinham vergonha de ter suas vidas expostas em seus países de origem. Sim, existem alguns brasileiros “fazendo a vida” aqui em NYC e muitos não tem do que reclamar. Um deles, trabalhando com programas por mais de 30 anos, até topou dar uma entrevista, mas desistiu por medo de que isso afetasse sua lista de clientes. Foi quando MICKEY CARPATHIO surgiu e prontamente quis falar sobre sua profissão, da qual sente certo orgulho.

Mickey Carpathio

Ao chegar em seu apartamento em Manhattan, eu esperava por algo do tipo ’50 tons de cinza’, mas ao invés disso entrei em um estúdio de arte onde tintas, telas e esculturas ocupam todo o andar principal. Mickey é um talentoso artista plástico.

Entrevista com Mickey Carpathio

Então esse é seu trabalho principal?

Mickey Carpathio – Sim e não. Também trabalho com pinturas decorativas em casas e essa é minha principal fonte de renda.

Mickey então me conduziu ao andar de baixo, onde, segundo ele, a “mágica acontece”. Dois quartos, decorados com telas de Mickey e seu ex-marido, e um banheiro bem equipado, além de acesso a um pequeno quintal formam o andar inferior. Aos 37 anos, Mickey carrega um sorriso e brilho nos olhos bem juvenis. Diferente do estilo ‘macho dominador’ que algumas de suas fotos iniciais demonstravam. Seu estilo não muito Americano vem de sua herança genética, uma mistura de Irlandês com Alemão.

Você é muito mais bonito pessoalmente.

Mickey Carpathio Ouço isso o tempo todo. Eu tento me cuidar bastante. Como bem, durmo bem, vou a academia quatro vezes por semana e vou ao médico de 3 em 3 meses.

Toma algum medicamento?

Mickey Carpathio – PrEP. A gente precisa se cuidar sempre, ne?

Como eu não conseguia fazer meu gravador funcionar corretamente, Mickey prontamente me conseguiu papel, caneta e uma prancheta.

Há quanto tempo atua como profissional do sexo?

Mickey Carpathio – Cinco anos e meio, mais ou menos.

Como isso começou?

Mickey Carpathio – Quando comecei a namorar meu ex-marido, tínhamos uma relação aberta. Ele já trabalhava como acompanhante e ele sugeriu que eu fizesse o mesmo, já que eu fazia de graça mesmo. Por que não cobrar?

Você foi pego no meio do processo Rentboy.com? (Ano passado, o FBI investigou, tirou do ar e prendeu os envolvidos no site Rentboy.com, com base em NYC, por atividades de prostituição, que é ilegal no território americano.)

Mickey Carpathio – Não. Eu uso o Rentman.com, que não encontra problemas por não ser baseado nos EUA. Ali a gente paga uma mensalidade de 55 dólares para ter nosso anúncio vinculado e tem uma certa proteção pra nós, pois apenas clientes cadastrados e aprovados pelo site podem nos contactar.

Qual a média um garoto de programa cobra?

Mickey Carpathio – Isso varia, mas a hora média é de 250, 00 a 400,00 dólares. (Algo em torno de 1000 a 1600 reais por hora)

Ainda é uma atividade lucrativa?

Mickey Carpathio – Numa cidade grande, como NYC, sim. Em cidades pequenas nem tanto. No Verão é ruim em qualquer lugar.

Sério? Por que?

Mickey Carpathio – Muita gente viaja. Também tem muitas festas e no verão é bem mais fácil conseguir sexo sem pagar, entendeu?

Quanto clientes você tem por semana?

Mickey Carpathio – Como eu não faço programa de forma integral, eu faço entre seis a dez programas por semana.

Bastante dinheiro por semana.

Mickey Carpathio – Como eu disse, varia.

Sua família sabe sobre você?

Mickey Carpathio – Minha irmã sabe, o resto da família não. Minha irmã trabalhou muito tempo como Dominatrix, mas a atividade dela não envolve sexo… É mais humilhação verbal, um pouco de dor e tal… Mas ela sabe que eu faço sexo com meus clientes.

Mickey Carpathio

E você gosta de fazer sexo ou faz pela grana?

Mickey Carpathio – Eu adoro o que eu faço (abrindo um sorrisão). Gosto realmente. Eu me sinto como um terapeuta do sexo. Meus clientes são geralmente caras muito legais; casados ou no armário, que não se sentem à vontade na cena gay. Portanto, eu preencho esse espaço na vida deles. Eu faço esses caras se sentirem bem consigo mesmos e voltam felizes pra suas vidas.

Você disse que seu ex marido também faz programas. Já trabalhou com ele?

Mickey Carpathio – Nunca. Mas o atual sim!

Ele também é garoto de programa?!

Mickey Carpathio – Não, mas como a maioria das pessoas, ele tinha curiosidade. Um dia um cliente me solicitou um terceiro e ele quis ir comigo, pra saber como era.

E ele gostou?

Mickey Carpathio – Sim. Diz que faria de novo me acompanhando, mas nunca por conta própria.

Qual a faixa etária média dos seus clientes?

Mickey Carpathio – Na faixa dos 50… Sim, nessa faixa. Mas já tive clientes de 18 anos e até de 95 anos.

95 anos?!!! Como foi isso?

Mickey Carpathio – Foi interessante. Eu estava muito preocupado em não machuca-lo, então peguei muito mais leve do que eu pegaria com um cara mais jovem. Acabamos nos divertindo muito, gostei muito de ter estado com ele. Não tem porque ter preconceito com idade… Todo mundo fica velho um dia!

Já se apaixonou por algum cliente?

Mickey Carpathio – Nunca me apaixonei loucamente, mas acabo desenvolvendo sentimentos fortes por muitos deles. Algo fraternal, entende? Algo de proteção, de me preocupar se estão bem e tal. Tenho esse cliente, de 21 anos, que é lindo (ele mostra a foto. Realmente é bem bonito), mas tem dificuldades de se envolver com pessoas. Ele ainda é virgem e basicamente me paga para beijar e ficar abraçado com ele, tipo de conchinha. Ele não se acha bonito, apesar de ser. Eu me vejo nele, então sei que posso ajuda-lo a se sentir melhor consigo mesmo. Eu gosto muito dele, de uma maneira protetora. Eu tenho essa coisa de proteção comigo, por isso os clientes sempre voltam.

Você toma algo pra se excitar?

Mickey Carpathio – Eu tenho Viagra aqui, mas quase nunca tomo. Eu sempre tento achar algum aspecto excitante na pessoa. Quando não é o físico, é a personalidade. Caras negativos ou agressivos não me atraem normalmente. Alguns dos meus clientes são muito bonitos, outros nem tanto, mas em cada um deles eu encontro algo especial que me atrai.

Qual a coisa mais estranha que um deles já te pediu pra fazer?

Mickey Carpathio – Engraçado, quando se trabalha com sexo por tanto tempo nada parece anormal pra você. Ah, lembrei, teve um cliente que eu nunca encontrei pessoalmente, mas que me pede pra enviar pra ele via correio garrafas de mijo, sémen e camisetas suadas. Sempre imagino o que ele faz com essas coisas.

Já fez filme pornô?

Mickey Carpathio – Tentei, mas a energia de um set de filmagens não funciona pra mim. Muito mecânica, entende? E o diretor te pede pra fazer umas posições que ser humano nenhum faz quando transa! Fora que tem que parar no meio do ato pra fazer fotos e tal… Não é pra mim. Só se eu dirigisse, aí faria meu pornô caseiro gostosinho que todo muito curte.

Você já sofreu preconceito por conta dessa atividade?

Mickey Carpathio – Não, mas eu tomo todo cuidado com quem eu divido esse lado da minha vida. Por ser um lado que eu gosto de verdade, eu sou cuidadoso com ele. Eu sou gay, faço com muito prazer, mas sei que tem gente que faz isso por dinheiro apenas e acaba sendo ruim pros dois lados.

Algum conselho pra quem pensa em fazer isso?

Mickey Carpathio – Sim. Nunca use drogas, se cuide sempre e não deixe que isso seja sua única fonte de renda, pois aí deixa de ser uma atividade prazerosa e vira trabalho. Vira uma obrigação ruim. Lembre sempre que outras áreas na sua vida precisam de atenção! E, se dê um limite pra parar! Planeje o futuro.

Esse é o perfil de Mickey Carpathio no Rentmen: http://rentmen.com/Carpathio

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