Rico Dalasam, um rapper brasileiro assumidamente gay

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Dentro do movimento feminista, falamos bastante do icônico momento da queima dos sutiãs, afinal foi um dos grandes eventos registrados na nossa história, contudo sabemos que uma série de acontecimentos anteriores culminaram naquela manifestação.

Mesmo as paradas gays vistas mundo afora, nasceu da violência sofrida pelos homossexuais por anos a fio até explodir na revolta de Stonewall Inn, lembrada até hoje.

A lição aprendida é que as grandes mudanças não acontecem em um único momento histórico grandioso, mas é composta de pequenos passos dados em direção a estas mudanças.

Atualmente muitos homossexuais vem trabalhando duro para mudar o estigma historicamente imposto às pessoas gay.

Assim como muitos no passado, eles vem abrindo o caminho para um futuro onde a homofobia seja apenas uma lembrança ruim nos livros de história.

Dentro deste contexto temos mais um homossexual desbravando um cenário musical considerado machista, usando, para isso, muito profissionalismo, boas letras e uma atitude firme.

Rico Dalasam (foto abaixo), paulista do Taboão da Serra, se apresenta como rapper, negro e gay, e vem se usando desta experiência para compor letras que dialogam universalmente e chamam para um empate pessoal de aceitação e superação.

Aproveitando deste momento com uma maior abertura para nossa causa, o garoto de 25 anos vem construindo uma carreira bonita, em meio a um improvável ambiente antes reservado para homens heterossexuais.

Considerado um dos primeiros rappers abertamente gay do Brasil, Rico desbrava e altera gradativamente estes espaços, assim como as mulheres fortes que vem marcando presença neste segmento, como Carol Conka e Flora Matos.

Seu primeiro EP, Modo Diverso, já nasce com um forte senso político, aberto para tratar de assuntos ainda complicados em nossa sociedade, porém de forma direta e simples. O próprio artista apresenta esta missão do seu trabalho:

“Esse primeiro trabalho propõe um novo senso de normatividade. Tratar como normal o que muitas pessoas tratam como anormal. Quero que as pessoas me olhem e entendam que tem um negro e gay fazendo música boa. Se tem uma palavra que define esse EP é aceitação, mas não é a aceitação dos outros. A saída é você se aceitar de dentro para fora, do que você é para você”.

Claro que a sexualidade do jovem não iria passar despercebida e já houve alguns indivíduos destilando sua intolerância. Mas sobre isso, talvez a melhor análise tenha vindo de Anderson Moraes do Rap Nacional que fez uma relação do preconceito contra Rico Dalasam ao próprio preconceito sofrido pelos rappers e seus fãs:

“Em meados dos anos 90 fomos tachados de bandidos por ouvir Facção Central, fomos colocados a margem da sociedade, e lá nos fortalecemos e ajudamos a espalhar com grande amor a cultura das periferias, o Rap se tornou a voz dos excluídos, quantas vezes você tomou enquadra dos PM’s por ser preto e usar um jaco do Racionais, Ndee Naldinho? e agora, em 2014 os manos estão criando a mesma enquadra preconceituosa, tem algo errado ai, não vire o monstro que o Rap combate, se oriente”.

Acima de tudo, Rico prega a melhor arma contra todo a forma de mal ignorante, a educação. Segundo ele próprio, isso ainda pode transformar um preconceituoso em agente da tolerância:

“Educar os caras sempre será uma tarefa foda, nós no geral temos problemas com o novo. Creio que a música tem poder pra criar esse novo senso de normatividade! Boa parte dos manos que falam groselha hoje, tem a chance e coração pra aprender mais e ser o um agente local na criação desse mundo possível que o #mododiverso propõe… meu foco mora ai, não nas discussão de internet!”, reflete.

O rapper já liberou 05 faixas do seu EP na internet e, mais recentemente, lançou um vídeo para a música Aceite-C:

Assim, desejamos todo sucesso ao jovem e que muitos mais artistas venham mostrar nosso valor nos mais inesperados cenários.

E no mais, continuemos firmes e fortes.

Referências
Rico Dalasam Facebook; Rico Dalasam Twitter; Rico Dalasam Soundcloud; Henrique Grandi; Pragmatismo Político; Rap Nacional;

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