Shopping Gay em Recife reuniu arte, cultura e comércio em um enorme mercado livre

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Vemos cada vez mais políticos gananciosos, principalmente os pastores extremistas, inflamarem discursos de ódio contra os gays.

Supostamente em defesa de sua visão estreita de família, promovem o ódio, a intolerância e a violência sem medo, nesta terra cheia de regalias e permissões para políticos e juízes.

Porém, um fato é importante: nosso dinheiro também é usado para pagar o salários deles. Sim, tem muito pink money sustentando estes revoltosos.

Aliás, é engraçado como os gays são vistos como pessoas pecadoras que precisam ser exterminadas, enquanto não falamos em dinheiro, pois como bem disse Luiza Marilac, em entrevista para o Provocações: “nós só servimos para pagar imposto”.

Provocando essa percepção filha do capitalismo, aconteceu no último dia 20, em Recife, o projeto Shopping Gay, um enorme mercado livre que vendeu arte, moda autoral e contou ainda com brechó, sebo e antiquário.

O projeto foi idealizado pelo artista plástico Aslan Cabral e teve o apoio do Coletivo Sexto Andar e Caio Alves.

O uso da palavra gay no nome do projeto foi tanto um provocação quanto um lembrete da situação de consumidor em nossa sociedade capitalista.

Aslan concedeu entrevista para a Revista O Grito poucos dias antes do evento, onde explicou mais sobre o projeto.

Reproduzo, a seguir, dois trechos da conversa. Para ler o artigo completo, veja o link em referências, no final desta postagem.

Como surgiu a ideia de fazer o Shopping Gay? Qual a proposta?

Aslan Cabral – Como artista e agente cultural me vejo constantemente provocado a criar estratégias sobre como propor discussões sociais de uma maneira que refresque as dinâmicas já estabelecidas. Nessa obra, chamada Shopping Gay, a ideia surge com a ideia de citar, dialogar com o tag gay de uma maneira cultural, econômica e não apenas sexual. A proposta é híbrida. Se apresenta materialmente como um dia de encontro para consumo de objetos mas na verdade estamos a todo tempo atrelando o “gay” a uma seara onde não existem diferenças, discriminação.

Afinal o capital financeiro pouco importa com quem você deita, não é isso? Madonna canta, a gente compra, ninguém pode escapar… vivemos em um mundo materialista. O shopping gay é mercado livre e relacional que existe com o objetivo de fazer reconhecer a universalidade dos gays para além desse estigma sexual. Por exemplo, faça uma busca no Google com a palavra gay. Fez? São páginas e páginas de clichês exclusivamente ligados a impulsos sexuais. Porém, eu garanto, os gays são muito mais!

O uso da palavra “GAY” foi uma provocação? Como se deu a escolha do nome?

Aslan Cabral – O título é um jogo de palavras que junta shopping por estar ligado ao consumo, e gay pela liberdade e ousadia. Além disso, ficou muito engraçado como o Shopping Gay virou imediatamente um trocadilho com o formato Shopping Day de Camila Coutinho. Eu gosto de reforçar que embora no título seja a palavra Gay que talvez chame mais atenção, acredito que seja “Shopping” a mais importante. Porque é nesse plano onde as coisas se igualam inquestionavelmente no sistema vigente. Venham todos ao shopping, é para todas as famílias.

A provocação do artista, principalmente quando comenta sobre o papel de consumidor igualando as pessoas, demonstrando um sistema que pune o cidadão gay, mas brinda o consumidor homossexual, desde que com dinheiro, foi para mim um lembrete claro sobre a luta que ainda temos pela frente.

Porém, muito além da política, o evento também teve humor e muita coisa bonita.

Espero que outros muitos projetos venham, usando a palavra gay também para outros fins do que simplesmente o sexual.

E no mais continuemos firmes e fortes.

Referências
Revista O Grito; Aslan Cabral Twitter; Aslan Cabral Facebook; Coletivo Sexto Andar Facebook; Shopping Gay Facebook;

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