Só os feios falam da beleza, um poema confessional

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Só os feios falam da beleza,
e eles o fazem porque não a possuem.
É a cruel verdade de que, não se vivendo, se observa.
Mas seu olhar é cruel e maldoso, por que no fundo há inveja…
Melhor: há cobiça.

O feio não deseja que a beleza morra,
Ele quer fazer parte dela,
dançar sua dança e rir seu riso.
Nessa tortura de desejo e repulsa,
ele finge se abrigar na sabedoria.

Como feio rancoroso, sempre penso na beleza
e com raiva a observo cuidadosamente…

Vejo a beleza trazer em si algo de sórdido,
algo de sujo.
Como vilã provocadora,
exibindo sua formosura e humilhando o feio sem dó.

No prazer afável engana quem a detém,
Fazendo-se pensar eterna e tornando-se foco principal.
Mas também há ela de morrer diante do tempo
e então, nesta última instância,
maltratará a quem lhe carregou como a um filho querido
e novamente se fará vilã.

Sem ela seria a vida mais triste?
Indubitavelmente com ela a vida se faz mais feliz.

Ah! Doentes homo videns que vivem alimentando-se
pelos olhos fugazes.
Ah! Tristes homo sapiens que morrem à mingua.
Será que nunca haveremos de vê-los conectados?

Então digo:
Vá beleza passageira
e brilhe no palco da vida enquanto pode,
mas saiba que em sua despedida
será a sabedoria que assistirá ao teu último suspiro…

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