Uma crônica sobre a pergunta de Daniel Manzoni debate amor e egocentrismo

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Uma crônica sobre a pergunta
Uma crônica sobre a pergunta
Ficha Técnica
Autor: MANZONI, Daniel
Título: Uma Crônica Sobre a Pergunta
Edição:
Editora: CRV
Ano: 2014
Número de Páginas: 180

O primeiro romance de Daniel Manzoni nos apresenta a história de Babil em sua busca pela reposta a uma grande pergunta.

Uma Crônica Sobre a Pergunta começa com o personagem ainda na escola e vemos seu caminho se desdobrar um enredo que o leva a uma idade muito madura.

No caminho, as adversidades vão moldando o profissional Babil e mostrando o quanto a vida pode ser complicada e cheia de hipocrisias, seja no amor, seja no mundo acadêmico ou mesmo entre profissionais com larga experiência.

O texto é leve e envolvente, conquistando com facilidade o leitor que deve se reconhecer em alguns dos muitos conflitos pelos quais o personagem passa.

Em um cenário contemporâneo, é fácil reconhecer também algumas pessoas que nos cercam entre os personagens que interagem com Babil, como a ácida tutora de sua tese de doutorado ou sua realista mãe.

O contexto do final é surpreendente, apresentando um desfecho bem diferente do que se poderia supor no inicio da história.

Explorando alguns conhecidos dilemas do mundo gay, a história vai além do universo LGBT e termina apresentando uma forte crítica ao egocentrismo e ao ciclo vicioso da vaidade que alimentam nossa cultura.

Apesar dessa primeira edição apresentar alguns problemas de ortografia e sintaxe não é algo que atrapalhe muito a história.

Para mim, a transformação do personagem em meio aos diversos conflitos pelos quais passa foi o mais interessante e, apesar de ficar um pouco triste com o final, considerei ele muito interessante.

Como sempre, separei algumas das minhas citações favoritas da obra.

Citações selecionadas

“Estamos no século vinte e um, Babil. O século da velocidade, da liquidez de tudo. Você tinha o seu corpo para me oferecer e eu tinha o meu. Pronto. Fizemos negócio. Acabamos com nossa vontade de transar um do outro. Agora cada um para seu lado e continuar a vida como antes até encontrar um novo parceiro. E tem muitos por ai. É só olhar para o lado que logo você vai encontrar um querendo o mesmo e cair fora cinco minutos depois. Essa é a vida. Te ajudei a conhecer um pouco?”(MANZONI, 2014, p. 52).

“Sempre achei que amor fosse uma coisa boa, os filmes, a novelas da TV, sempre mostram coisas boas em relação ao amor. E quem afinal não quer ser amado nesse mundo.” (MANZONI, 2014, p. 58).

“Príncipe encantado você não encontrará, meu filho. Essas histórias não existem. O que você encontrará são muitos sapos. Sapos não. Lobos! Lobos que vão devorar seu coração. Mas vamos lá, ânimo e bola para frente. Aprende com sua mãe calejada: a vida não é fácil. É uma história de terror que a gente assistente tentando achar os defeitos dos efeitos especiais para comentar e rir com os amigos. Assim alivia o medo de ver todos os horrores que vão acontecer.” (MANZONI, 2014, p. 59).

“Eu entendo, isso não quer dizer que eu aceite. É diferente você olhar a sua volta e ver que você é diferente da maioria. Que isso será um fato para que a sociedade te exclua. Que você poderá perder direitos civis. E quando você se vê nessa situação o primeiro impulso, a primeira luz que você pensa para se salvar é querer se igualar a maioria. E aí você não consegue, pois é mais forte que uma simples vontade. E o que você faz? Questiona: por que sou assim? Não quero ser colocado como diferente dos outros que vivem ao meu redor. Não é fácil ser diferente e ainda ser rejeitado por isso” (MANZONI, 2014, p. 102).

“Aqui uso uma metodologia. Lá usarei outra metodologia, outro grupo de técnicas. Porém nos dois lugares eu parti de uma pergunta importante, que angustiava, inquietava o pesquisador, para ser respondida.” (MANZONI, 2014, p. 117).

“Nunca me senti bonito. Ninguém me disse que sou bonito, sabe. A única vez que achei que alguém tivesse me achado bonito foi tudo um grande engano que jamais consigo desfazer as consequências que teve. Eu não sou digno de beleza, Professor. Acho que por isso estudo tanto, para compensar.” (MANZONI, 2014, p. 153).

E no mais continuemos firmes e fortes.

Referências

Livro Uma Crônica Sobre a Pergunta;

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