Uma Nova Amiga

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(Une Nouvelle Amie, 2014)

Estreia: 16 de Julho de 2015

País / Ano de Produção: França / 2014

Duração: 107 minutos

Em tempos de grandes e muitas produções cinematográficas muitas vezes é difícil acertar a mão e fazer um filme que de fato te toque e te leve a refletir sobre seu mundo e seus sentimentos. François Ozon consegue essa proeza no seu filme Uma Nova Amiga, produção atualmente em cartaz em São Paulo, fazendo um filme extremamente delicado e ao mesmo tempo profundamente impactante, que exige do espectador se despir de preconceitos, levar sua compreensão de mundo até o limite e aceitar a profunda diversidade do sentimento e do desejo humano.

O filme parte de uma tragédia, mostrada sem drama logo nas primeiras cenas do filme, e depois desenrola seu enredo tratando basicamente de um conflito de identidade de gênero de um dos personagens principais e os impactos que esse conflito gera nele e nos outros personagens à sua volta.

Poderia ser mais um filme provocativo e chocante, com alta dose de erotismo, frases clichês e situações absurdas, mas a proeza de Ozon reside justamente na delicadeza, profundidade e serenidade que o filme tratar desses assuntos, sem que se descambe para algo vulgar ou para lugares comuns do tema. Ali não existe espaço para dramas baratos, desnecessários ou superficiais, e a delicadeza e a suavidade permeiam todo o enredo e cenas, lhe conferindo uma leveza que cativa e permite ao espectador absorver e aceitar a multifacetada natureza humana.

Nesse ambiente o filme se desenrola, tratando de questões como identidade de gênero, desejo, limites sexuais, papéis sociais, e preconceitos internos e externos, mostrando a busca de uma pessoa pelo seu lugar no mundo, não na sua forma biológica, mas na forma como se vê internamente e como nossos sentimentos e desejos podem ser confundidos quando se sai do óbvio. As interpretações primorosas de Anaïs Demoustier e Romain Douris valem a pena e comovem sem tornarem os personagens piegas ou forçados.

Se você tem problemas com aceitação própria ou dos outros, se tem uma visão heteronormativa restritiva do mundo e do amor, ainda que seja gay, lésbica ou transexual, talvez esse filme não seja indicado a você.

Porém, se uma nova forma de ver o mundo e as relações humanas são valores internos seus, não deixe de ver essa obra e quem sabe ler o livro que inspirou o filme, da autora Ruth Rendell, para se surpreender e arejar ainda mais seu ser. Tenho certeza que você sairá do cinema com um olhar muito mais profundo sobre a diversidade humana. Bom divertimento!

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