Vingadores: Era de Ultron

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(Avengers: Age of Ultron, 2015)

Estreia: 23 de Abril de 2015

País / Ano de Produção: EUA / 2015

Duração: 141 minutos

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Vamos combinar que a Marvel nem precisava pegar tão pesado assim na campanha de marketing pra convencer o público a assistir Vingadores: Era de Ultron. O novo longa do estúdio pegaria carona fácil nos sucessos de seus predecessores, Guardiões da Galáxia, Thor: O mundo sombrio, além, obviamente, do primeiro Vingadores que arrebatou as bilheterias mundiais em 2012. Todavia, em sua estratégia de fazer sequências maiores e mais barulhentas, a Marvel esqueceu do que fez o primeiro Vingadores tão interessante: uma história coesa. Era de Ultron lida com temas até mais complexos do que seu antecessor como a inteligência artificial e até onde se deve ir para proteger aqueles que ama, mas se perde um pouco nas longas cenas de ação que permeiam o longa de Joss Whedon.

Vamos deixar algo bem claro: A Era de Ultron é um filme excelente, muito bem feito e elaborados, com personagens interessantes e efeitos de primeira qualidade, mas pecou justamente pelo excesso dessa vez. Logo no início já vemos o time reunido no meio de uma batalha contra a HIDRA e em menos de quinze minutos de sequências de ação de tirar o fôlego, Mercúrio e Feiticeira Escarlate ja estão em cena contra os Vingadores. Whedon é um diretor de cenas habilidoso, colocando cada herói em tempo de tela igual. Porém, para que isso aconteça, a trama não tem muito espaço pra sutilezas. Ultron, por exemplo, já chega em cena causando destruição de Jarvis (inteligência artificial criada por Tony Stark e auxiliar dos Vingadores nas missões),  após um rápido processo de criação pelas mãos de Stark e Bruce Banner. Aliás, a divisão do tempo de tela funcionou muito bem pois dessa vez Robert Downey Jr e seu Homem de Ferro não ofuscaram o resto do elenco. Viúva Negra e Gavião Arqueiro, que não tiveram seus filmes solos, têm mais de seus passados revelados aqui. E são nessa cenas, onde a destruição de prédios e robôs não são o foco principal, é que os Vingadores encontra seu cerne.

A boa interação do elenco, marca dos filmes Marvel, continua sendo o ponto alto aqui. Quando o barulho dos vidros quebrando e bombas explodindo cessa, podemos nos interessar pelo romance idealizado entre Bruce e Natasha (Mark Ruffalo e Scarlet Johansson), entender os motivos que levam Wanda e Pietro Maximoff (Elizabeth Olsen e Aaron Taylor-Johnson em suas estreias no universo Marvel) a se aliar a Ultron contra os Vingadores, perceber o conflito que começa a surgir entre o Capitão América e o Homem de Ferro (o que vai gerar a trama central de Capitão América:Guerra Civil) e enxergar os humanos por trás das identidades de heróis tendo que lidar com um andróide cujos planos inclui a extinção da humanidade.

Aliás, Ultron é um dos trunfos do filme. Mesmo que um tanto ganancioso e cego pelo poder, seguindo a cartilha ensinada por Hal 9000 em 2001 – Uma odisséia no espaço, o vilão ganha força na interpretação carismática e no tom correto de James Spader, que esteve em cena para captura de movimentos e ganhou uma arrojada versão feita em computação gráfica. Muito se falou que o vilão traria para o novo filme uma levada mais sombria e quem sabe até realista. Essa ideia logo passa, uma vez que o filme tem seu drama bem dosado com as tiradas de humor. Temos a hilária sequência pós festa da vitória quebrada com a chegada do robô, por exemplo.

No geral, Vingadores é um filme que cumpre o seu papel: entreter e funcionar como uma ponte para Guerra Infinita, o grande evento Marvel do cinema que contará com todo o elenco das três fases do estúdio na tela grande. A verdade é que o grande público quer mesmo ver Capitão América, Homem de Ferror, Thor, Hulk e companhia mandando ver no exército de Ultron e salvando (Mais uma vez) a Terra. Para eles, esse filme é um prato cheio. Para o outro público, aquele que quer a Marvel das boas histórias misturadas com ação de primeira como em Capitão América – O soldado invernal fica a esperança nos próximos projetos.

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