Entre irmãos de Rafael Farias Teixeira

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Entre irmãos
Entre Irmãos
Entre Irmãos

Ficha Técnica – Entre Irmãos

Autor: TEIXEIRA, Rafael Farias.
Título: Entre Irmaos
Edição:
Local de Publicação: Rio de Janeiro
Editora: Multifoco
Ano: 2012
Número de Páginas: 200

Sobre o livro

Uma dica importante para quem escolher ler esse livro: cuidado com a época que você vai fazer isso.
A história pode ser bem forte, principalmente para homossexuais que provavelmente vão se identificar com muitas coisas descritas nele, e, como sabemos, a vida de um homossexual neste país pode ser bem difícil.

A narrativa gira em torno de três irmãos: Beatriz, Maurício e Fernando. Destes, o último é homossexual assumido e, claro, rejeitado por grande parte da família conservadora.

O gancho inicial do texto é morte de Maurício, e a partir disso o autor explora alguns dramas dessa família, focando principalmente na relação desses irmãos e no desenrolar dos conflitos que cercaram seu crescimento.

A construção da narrativa não é costumeira, o que pode gerar certo exercício para se adaptar ao ritmo e a forma do texto. O autor escolheu escrever a história em primeira pessoa e mescla situações presentes e passadas em um mesmo período, o que pode confundir, caso não se esteja bem concentrado na história.

O livro também é recheado de situações muito fortes e reais, o que pode causar até desconforto pela crueza da descrição. Neste sentido, a história é bastante direta ao expor grande parte do falso mundo cheio de luz e purpurina que alimentam boa parte do universo gay, e explora sem dó a fragilidade das construções puramente estéticas e amizades superficiais.

A homofobia aparece como uma figura de fundo onipresente e alimenta o texto de diversas formas, inclusive encontrando ápices dramáticos bem fortes em momentos cruciais livro.

Eu, que sou bem emotivo, assumo que chorei com o final do livro. Novamente foi a verdade crua do texto que me tocou fortemente e me causou uma comoção enorme, principalmente ao envolver a relação familiar desses irmãos que se descobrem tardiamente.

Apesar disso, o livro contém alguns recursos que eu considerei um pouco superficiais, como, por exemplo, a descrição mais óbvia de alguns personagens e de algumas situações, que ficaram quase forçadas no texto, mas nada que prejudique o enredo.

De um modo geral, é uma obra que vale estar em sua estante de livros com temática gay, tanto que decidi apresentar a seguir alguns trechos que mais gostei.

Citações selecionadas

“Não há mundo tranquilo e seguro para um gay que não saiba usar mais do que o seu bom senso” (TEIXEIRA, 2012, p. 69).

“A cama é um campo de batalha onde eu tenho certeza de que a vitória sempre será minha. E não é uma questão de ser ativo ou passivo […]” (TEIXEIRA, 2012, p. 82).

“Seria bom dividir um cigarro com alguém que conversasse mais do que apenas, ‘Nossa, alguém já te disse que você é lindo’” (TEIXEIRA, 2012, p. 88).

“Envelheci rápido. Sempre achei isso um dos meus grandes defeitos. Meses parecem anos. E sempre quando chego ao meu aniversário, surpreendo-me com a idade que acabo completando. Tão pouco” (TEIXEIRA, 2012, p. 88).

“[Fernando] Tão intocável. Tão rejeitado e desperdiçado, jogado na rua. Resquícios de relacionamentos que nunca aconteceram. Tão bonito, mas tão ignorável” (TEIXEIRA, 2012, p. 98).

“Engraçado como não consigo me encaixar quando falo dessa população [gay]. De iguais e, ao mesmo tempo, inimigos” (TEIXEIRA, 2012, p. 101).

“Falar de sexo é natural. Heteros e homos provavelmente fazem e falam de sexo em uma quantidade parecida. A única diferença é que o fato de gays fazerem isso não é visto como natural” (TEIXEIRA, 2012, p. 118).

“As pessoas sempre planejam amar. Mas, quando o amor realmente chega, ninguém tem muita ideia de quais serão seus planos” (TEIXEIRA, 2012, p. 120).

“Eu sempre presumi que eu notaria o amor logo quando ele chegasse. Mas tudo foi mais sorrateiro e silencioso” (TEIXEIRA, 2012, p. 121).

“O meu problema sempre foi pensar demais. Ninguém gosta de pensar demais. Se você é gay então, o pensamento desenfreado e independente é tão desencorajado quanto era para as mulheres dos romances de Jane Austen” (TEIXEIRA, 2012, p. 165).

“A culpa é um sentimento pesado. Como grilhões autoimpostos. Só a pessoa que os usa pode se libertar realmente” (TEIXEIRA, 2012, p. 183).

2 COMENTÁRIOS

  1. Heller,

    Eu também li esse livro e concordo que fiquei tocado principalmente com a crueza das descrições das ações de alguns gays e dos lugares frequentados.

    Abraços, Sam.

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